A Natureza do Homem e a Bíblia – Parte I

A doutrina da imortalidade inerente da alma deu lugar não apenas ao surgimento de toda forma de paganismo, no passado, mas também ao reencarnacionismo espírita, à adoração dos santos católicos e de doutrinas como o inferno e o purgatório, à venda de indulgências e relíquias de santos e a religião baseada em ritos e superstições, com que as consciências foram terrivelmente coagidas, especialmente na Idade Média.

De acordo com a Bíblia Sagrada, somente Deus tem a imortalidade. Esta verdade é manifesta na seguinte recomendação de Paulo: Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; Aquele que tem, Ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível… (I Timóteo 6:14-16).

O homem foi criado para ser também imortal, mas sob condição de obediência. Desobedecendo a Deus, teve mudada sua natureza e passou a ser mortal, condição decorrente da sentença proferida no Éden. A condição de mortalidade abrange a totalidade do ser e não apenas uma parte, como se tivesse que morrer apenas uma parte e outra não. A sentença divina foi taxativa: No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó, e em pó te tornarás (Gênesis 3:19).

O homem foi feito do pó da terra, como está escrito: E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente (Gênesis 2:7). A compreensão deste texto inicial é indispensável para o perfeito entendimento deste tema de fundamental importância do ensinamento bíblico. Existem, na composição da estrutura que formou o homem, três elementos que devem ser estudados separadamente e devidamente compreendidos.

Em primeiro lugar destacamos o corpo, matéria orgânica sem vida, que foi feito do pó da terra. A este respeito não existe nenhuma dúvida, porquanto o relato é simples e claro. Portanto, o corpo é simplesmente o pó da terra, ou o barro do qual ele foi moldado.

Em segundo lugar, o relato é também simples e claro na afirmação de que foi assoprado por Deus o fôlego de vida ou espírito, que é a fagulha vital, o princípio de vida, nas narinas daquela estrutura que Ele esculpiu e ainda não tinha vida. Tanto o original grego quanto o hebraico ou, mesmo, o sânscrito e outros idiomas antigos indicam, para esta palavra espírito o mesmo significado: ar, sopro, vento, alento.

Em terceiro lugar a Palavra de Deus deixa claro, ainda, que o homem se transformou, então, numa alma vivente. Ora, o que significa, pois, a palavra alma ou alma vivente ? Segundo a Bíblia Sagrada, a alma é um corpo vivo, ou seja, ela é a resultante de um corpo sem vida, acrescido do espírito, ou fôlego de vida. Uma alma vivente, segundo a Palavra de Deus é, portanto, um corpo vivo.

Ao ser executada no homem a sentença decorrente do pecado, foi o homem privado da vida eterna. Seu destino certo passou a ser a morte. Ainda que pudesse viver por um breve período, o destino comum e inevitável de todo homem passou a ser a sepultura ou, conforme sua forma original grega e hebraica, o hades ou sheol.

A única esperança de vida para o homem é a que Deus, pela graça, ou seja, pela Sua infinita misericórdia, oferece através da ressurreição do último dia. Enquanto não chega este dia glorioso em que os mortos que aceitaram o plano de Deus vão retornar à vida pela ressurreição, todos continuam exatamente como foram colocados nos seus túmulos.

Não existe consciência na morte. Ela, a morte, é comparada por Deus, através de Sua Palavra, a um sono profundo e sem sonhos. Ao morrer, o homem tem interrompidas todas as formas de ligação com a vida. Ele volta ao estado original, ao pó da Terra. Seu corpo é decomposto nos elementos de que foi formado, e é como se nunca tivesse existido. A morte é a completa ausência da vida. É a conseqüência do pecado, como está escrito: Porque o salário (ou conseqüência) do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, (oferecida) por Cristo Jesus Nosso Senhor (na ressurreição) (Romanos 6:23 parênteses acrescentados, para melhor compreensão).

Expirar é uma palavra sinônima de morrer . Ao falecer uma pessoa costuma-se dizer que ela expirou . A mesma palavra refere-se, também, ao ato de expelir-se o ar dos pulmões. Tudo isto está em harmonia com os ensinos da Palavra de Deus, que declara: … porque o homem se vai à sua eterna casa, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu (Eclesiastes 12:5-7).

O espírito, ou fôlego, volta a Deus, que o deu, assim como a energia de uma lâmpada retorna à sua fonte geradora a hidrelétrica ao ser desligada, apagada. A figura da lâmpada pode ser adequadamente utilizada para se fazer uma comparação entre a vida energia vital e a luz energia elétrica. A lâmpada apagada é como um corpo morto, sem vida. Ao ser acionado um comutador numa tomada, recebe a energia, como o corpo recebe o espírito ou fôlego, e se transforma numa lâmpada acesa.

O corpo se transforma numa alma, ou alma vivente. Desligando-se a fonte de energia ou de vida, a lâmpada acesa volta a ser uma lâmpada apagada, sem energia, e o corpo volta a ser um corpo inanimado, sem vida. A energia volta, respectivamente, para a usina a elétrica e para Deus, a energia vital. Repetindo, o corpo somado ao espírito ou fôlego, é igual a uma alma, alma vivente.

Diversos textos corroboram esta verdade que brota da lógica da Palavra de Deus e não dos argumentos do seu inimigo. Veja-se a súplica e a declaração de Jó: Peço-te que te lembres de que como barro me formaste, e de que ao pó me farás tornar (Jó 10:9). Enquanto houver alento, e o sopro de Deus no meu nariz (Jó 27:3). Corretamente interpretadas, estas palavras de Jó podem ser perfeitamente substituídas por outras com o mesmo sentido, ou seja, enquanto houver vida em mim .

Conclusão idêntica leva à observação de outros textos do mesmo patriarca: O Espírito de Deus me fez, e a inspiração do Todo-poderoso me deu vida (Jó 33:4). Se Ele pusesse o Seu coração contra o homem, e recolhesse para Si o Seu espírito, e o Seu fôlego, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó (Jó 34:14-15).

Ao excluir Adão e a sua descendência do Éden e privá-lo do fruto da árvore da vida e da imortalidade, o propósito misericordioso de Deus foi o de livrá-lo de uma vida interminável submetida à maldição do pecado. Ao invés de ser a vida uma bênção e um dom, seria uma penosa carga, uma grande maldição.

A primeira manifestação da graça e redenção foi comunicada a Adão, ainda no Éden. Pela sentença pronunciada sobre Satanás, Deus manifestou que o poder do inimigo seria quebrado. Eis a declaração do Senhor: E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar (Gênesis 3:15). Esta sentença abrange a história da mulher simbólica, a igreja de Deus, cuja semente Jesus esmagaria a cabeça da serpente, Satanás.

Também para o homem veio a sentença inexorável, da qual ele não poderia escapar: No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó, e em pó te tornarás (verso 19). As providências de Deus para a completa execução da sentença estão expressas nos versos seguintes: E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu. Então disse o Senhor Deus: eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida e coma e viva eternamente; o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fôra tomado e havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida (versos 21-24).

Ora, está claramente definido pelo texto da Palavra de Deus que as providências por Ele tomadas cerraram ao homem a possibilidade de o mesmo viver eternamente, tornando-se ele, então, um ser mortal.

A maldição que sobreveio ao homem atingiu também toda a criação. Todos os animais, semelhantemente à natureza humana, passaram à condição de mortais e a ter o mesmo destino, sem nenhuma diferença, como afirma a Palavra do Senhor: Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma (…) Todos vão para um mesmo lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão (Eclesiastes 3:19-20).

Conforme esta mesma Palavra, todos têm um mesmo destino e se igualam na morte, por maior sabedoria, honra ou poder que alguém possa ter tido em vida. Eis a afirmação: Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece; porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará. O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais que perecem (Salmo 49:16-17 e 20).

Os mortos, segundo a Bíblia Sagrada, nem ao menos sabem que morreram; eles simplesmente deixaram de existir, não tendo conhecimento de nada, nem consciência de coisa alguma, conforme declara a Palavra de Deus: Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Até o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma que se faz debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma (Eclesiastes 9:5-7).

É uma grande e terrível mentira, um engano fatal aquele em que o inimigo de Deus induz a pensar que, após a morte, as pessoas vão para um lugar de castigo ou, então, para o céu, lugar de gozo e louvor a Deus. A Bíblia Sagrada é veemente ao desmentir esse pensamento: Que proveito há no meu sangue, quando desço à cova? Porventura Te louvará o pó? Anunciará ele a Tua verdade? Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio (Salmo 30:9 e 115:17). Porque não pode louvar-Te a sepultura, nem a morte glorificar-Te; nem esperarão em Tua verdade os que descem à cova. Os vivos, os vivos, esses Te louvarão como eu hoje faço; o pai aos filhos fará notória a Tua verdade (Isaías 38:18-19).

Ao sobrevir a morte, no mesmo instante são desfeitos todos os pensamentos, todos os sentimentos e todas as ambições: Não confieis em príncipes, nem em filhos de homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam-se em sua terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos (146:3-4).

O salmista, reconhecendo que todos os dons provêm de Deus, reconhece também que o dom maior, o dom da vida, também repousa nas mãos do Senhor, segundo suas palavras: Todos esperam de Ti que lhes dês o seu sustento em tempo oportuno. Dando-lho Tu, eles o recolhem; abres a Tua mão, e enchem-se de bens. Escondes o Teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó (Salmo 104:27-29).

Não pode pairar nenhuma dúvida para o pesquisador sincero e sem preconceito, de que a morte é um sono do qual todos despertarão no futuro, através da ressurreição. A experiência da ressurreição de Lázaro não deixa dúvidas a este respeito. A Bíblia Sagrada relata esta tocante experiência, na qual Jesus manifestou o Seu poder divino.

Adoecendo Lázaro gravemente, suas irmãs, que em muitas ocasiões haviam hospedado o Salvador e com Ele mantinham uma amizade especial, enviaram mensageiros com a súplica para que os socorresse nessa emergência. Jesus, propositadamente retardou por vários dias a Sua visita, desesperadamente ansiada. Quando julgou oportuno chamou os Seus discípulos e dirigiu-Se àquele lar, mas somente após a morte do seu amigo.

Eis o relato: Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono. Disseram pois os Seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto (S. João 11:11-14).

Os discípulos não podiam compreender a atitude do Mestre e estranharam profundamente o fato de Ele haver permitido a morte do amigo, com aparente indiferença. Continua o relato bíblico: Chegando pois Jesus achou que já havia quatro dias que estava na sepultura (verso 17). Desconsolada, mas esperançosa, uma das irmãs do morto dirigiu-se a Jesus, conforme o relato sagrado: Disse, pois Marta a Jesus: Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus Te concederá (versos 21 e 22).

Eis a continuação do seu diálogo: Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em Mim, nunca morrerá. Crês tu isto? Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo (versos 23 a 27).

Surpresa e preocupada Marta ouviu a ordem de Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-Lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias. Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram pois a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças Te dou, por Me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas Eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que Tu Me enviaste. E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse -lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir (versos 39 a 44).

Está absolutamente claro o ensinamento do próprio Senhor Jesus, quando Ele compara, de forma direta e positiva, a morte com o sono. Desta experiência devem ser tiradas algumas conclusões de grande importância.

Em primeiro lugar Jesus dirigiu-Se se a Lázaro como estando ele no túmulo e não em outro lugar qualquer. Lázaro, sai para fora , foi a Sua ordem, prontamente atendida pelo morto.

Em seguida, cabe a reflexão: se Lázaro estivesse em algum outro lugar de gozo ou de tormentos o chamado de Jesus teria sido uma injustiça, inaceitável para o Juiz de toda a Terra . Isto, porque teria sido uma maldade chamá-lo do paraíso, se lá estivesse para retornar a um mundo de sofrimentos e de tribulações. Por outro lado, seria uma arbitrariedade inconcebível trazê-lo de volta do inferno de sofrimentos, se tal lugar existisse e a ele estivesse condenado.

Seria uma atitude arbitrária, não se levando em conta outros que lá estivessem e que não teriam a mesma oportunidade. Mas, o fato para o qual desejamos chamar a atenção é a comparação que Jesus fez da morte com o sono e, ainda, que Lázaro ressuscitou para retomar a sua vida normal, aqui na Terra, não tendo o seu corpo transformado, como acontecerá na ressurreição do último dia.

Confirmando os conceitos já expressos pela Palavra de Deus é interessante o registro de outros textos que consolidam estas afirmações, como o que se refere ao destino e condição do justo Davi, considerado pelo próprio Deus como o homem cujo coração era semelhante ao Seu. Pedro testemunhou: Varões irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura . Porque Davi não subiu aos céus… (Atos 2:29 e 34). Isto significa que Davi, assim como todos os outros justos falecidos aguardam dormindo, no pó da terra, a ressurreição do último dia, o dia da volta de Jesus.

Confirmando ser a morte um sono, eis o registro dos últimos momentos de outro justo, Estevão, o primeiro mártir cristão, morto por defender sua fé: E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu (Atos 7:70).

A morte reinou absoluta desde Abel, o primeiro homem a morrer, até Moisés, o primeiro homem a ressuscitar, como está escrito: No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés… (Romanos 5:14). Ora, de acordo com a sentença divina, nenhum homem poderia ressuscitar, antes de ser satisfeita a condição imposta pela transgressão, ou seja, o oferecimento da vida do próprio Criador em lugar da vida do homem.

Por esta razão é que Satanás não quis admitir que Moisés fosse trazido à vida, para nunca mais morrer, tendo recebido o corpo imortal e glorioso com que viverá para toda a eternidade. Indignado, Satanás contendeu com Jesus a este respeito, certamente argumentando que tal atitude estava em desarmonia com a justiça de Deus. Jesus poderia ter argumentado inúmeras coisas em favor do Seu ato, até mesmo o fato de que o objeto do Seu cuidado o corpo em disputa havia morrido por culpa de sua maldade e rebelião.

Eis o que diz a Palavra de Deus: Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: o Senhor te repreenda (Judas 9).

Jesus ressuscitou a Moisés como penhor do Seu sacrifício futuro. Caso houvesse falhado no Seu propósito e certamente Moisés teria que voltar a morrer, para manter a harmonia da Palavra e a dignidade da justiça de Deus. Não há dúvida de que a disputa por Moisés se dava por causa de seu retorno à vida, pois se assim não fosse, é notório que um corpo morto para nada se aproveita e não daria causa a esta contenda. A falha de Jesus acarretaria, também, a morte de outros dois personagens que não a experimentaram: Enoque e Elias. Eles foram transformados e arrebatados para o Céu, para o reino de Deus, sem passar pela morte.

A palavra arcanjo significa superior aos anjos e é em muitos textos nas Escrituras usada para referir-se ao Filho de Deus. Igualmente referindo-se a Ele a palavra Miguel significa semelhante a Deus .

Em harmonia com a natureza mortal do homem está o texto que relata a transfiguração de Jesus, nos Evangelhos. Naquela ocasião, foi mostrado a três dos seus discípulos um vislumbre do Reino de Deus. Pedro, Tiago e João, dirigindo-se com o Mestre a uma montanha, puderam contemplá-Lo na Sua glória. Juntamente com Ele puderam ver, também, Moisés e Elias, que bem representam a condição de todos os seres humanos que herdarão a salvação.

O primeiro, representando aqueles que, tendo morrido, voltarão à vida pela ressurreição; e o segundo os que não experimentarão a morte, mas que, como ele, serão transformados e trasladados para a vida eterna.

Este acontecimento havia sido predito por Jesus seis dias antes, quando falou a Seus discípulos: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder (S. Marcos 9:1). E assim se cumpriu o que Jesus anunciara: E seis dias depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou a sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-Se diante deles (verso 2).

Portanto, julgamos esclarecida a questão da natureza humana. Todo ser humano tem como destino inexorável a morte, da qual somente se livrarão, na ressurreição do último dia, os que aceitarem o sacrifício de Jesus e tiverem o seu caráter por Ele modelado, transformados pelo poder do Espírito Santo e preparados e adaptados para o Seu reino.

Não existe esperança de vida para o impenitente, como está escrito: Tal como a nuvem se desfaz e passa aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá . Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; e a esperança do hipócrita perecerá (Jó 7:9-10 e 8:13).

Mas se não existe esperança para o hipócrita, outra é a situação daquele que espera em Deus, confiante na justiça de Cristo. A pergunta que resta está contida no texto seguinte da Palavra de Deus: Mas, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está? Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota e fica seco, assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus não acordará nem se erguerá de seu sono. Oxalá me escondesses na sepultura (hebraico seol), e me ocultasses até que a Tua ira se desviasse, e me pusesses um limite, e Te lembrasses de mim! Morrendo o homem, porventura tornará a viver? (Jó 14:10-14).

Fonte: O Eterno Evangelho

Sobre Weleson Fernandes

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Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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