Prefira a Paz – É Possível Interromper o Ciclo da Violência Gratuita

Algumas crianças nascem com seu “Kit” de sobrevivência psicológica “faltando” componentes e, por isso, podem ter dificuldades de aprender habilidades sociais para o convívio num meio violento e mau. Elas são natural, hereditária e geneticamente mais mansas que outras. Não possuem impulsos violentos. Não sabem se defender tanto do ponto de vista físico quanto psicológico. São mais ingênuas que as outras. Parece que não nasceram para viver nesse mundo agressivo, cheio de malícias e maldades.

Um menino de uns dez anos de idade, vítima de violência na escola por parte de seus colegas, ao ser perguntado sobre o motivo das maldades que faziam com ele, respondeu: “Eles fizeram isso comigo porque eu não revido.” Você revida quando alguém faz algo ruim para você? Responde com agressão também? Acha que se não responder com agressão, será bobo? Uma pessoa assim, que não revida, é boba, ou não se encaixa numa sociedade agressiva, cínica, corrupta?

O argumento do menino violentado não foi o de que ele era chato, ou que vivia perturbando os colegas, ou que realmente não era amigo deles, ou que ele mesmo era violento. O argumento foi: “Eu não revido.” Ou seja, ele não consegue entender porque os colegas ficam agressivos gratuitamente. A pessoa que age com agressividade está reagindo a quê? De que tem medo? Precisa provar que é forte, ou o melhor, ou macho, ou garota-poderosa? Se sente assim tão inseguro(a) a ponto de querer provar pela violência que é alguém? Quem lhe ensinou que este é um bom caminho para a autoafirmação? Seus pais são pessoas violentas? Aprendeu com um deles (ou com ambos) a revidar, com pensamentos idiotas do tipo “meu filho não leva desaforo para casa!”?

Vemos violência em todo lugar. Mulheres espancadas por maridos violentos, homens agredidos por mulheres temperamentais que não tem nenhum ou quase nenhum autocontrole emocional.

A linguagem usada na mídia muitas vezes incita a violência social. Por exemplo, no esporte se diz que um time de futebol, por exemplo, “massacrou” ou “humilhou” o outro. Há tribos indígenas que jogam futebol sem se interessar em saber quem ganhou ou quem perdeu. Não há, no final, algo como: o time A ganhou de 3 a 1 do time B. Eles se divertem amigavelmente e quando terminam a partida, não há humilhação de um time contra o outro. A “mídia” desses índios não estampa na primeira página do jornal: “O pataxó massacrou o Ianomâni por 3 a 1!” E ao fim da partida, não há brigas, tiroteios, provocações e violência entre os torcedores índios. Eles são civilizados.

Como Jesus Cristo lidava com os abusadores, agressivos e violentos da sociedade de Sua época? Ele saía no tapa? Puxava canivete ou faca? Tirava uma pistola automática do Seu manto e a colocava na cara do agressor? Batia boca nervosamente? Começava a socar e chutar a pessoa? Dizia palavrões? Na bíblia, em João 8 verso 59, por exemplo, o pessoal fanático da igreja havia apanhado pedras para atirar nEle injustamente, claro, e o que Ele fez? Eles queriam usar as pedras para matá-lo. Não era só para machucar. Se eles tivessem um fuzil AR-15 teriam fuzilado Cristo. O que Jesus fez? Será que Ele contratou pistoleiros para acabar com seus agressores? Não. Ele Se retirou. Saiu pelo meio deles e foi embora. Foi covarde ao fazer isso? Foi um fraco por não ter revidado? Não. Ele sabia que não adiantava discutir com pessoas irrazoáveis movidas pela inveja e prepotência corrupta.

Quando Pedro, impulsivo e agressivo antes da sua conversão espiritual, desembainhou a espada e atacou o servo do orgulhoso sumo-sacerdote, decepando sua orelha direita (o alvo era a cabeça do indivíduo), Jesus não disse: “Pedro, legal que você revidou, pena que errou o alvo!” Mas Cristo disse: “Põe a tua espada na bainha; não beberei Eu o cálice que o Pai Me deu?”

Você está disposto a beber o cálice difícil para promover paz e honestidade num mundo violento e corrupto? Ou vai ficar revidando sempre, sem interromper o ciclo violento imbecil? Talvez Jesus possa ter pensado na cruz: “Eles fizeram isso comigo porque Eu não revido.” A verdadeira grandeza está na mansidão. E foi a mansidão dEle que venceu e vence o mundo, o diabo e a corja corrupta.

Cesar Vasconcellos de Souza é psiquiatra.

Sobre Weleson Fernandes

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Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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