Teses Capciosas Sobre o Sábado

Refutação de teses que tentam provar a invalidez da guarda do Sábado.

São absurdos destinados a demolir o quarto mandamento da lei de Deus. O criador dessas teses, defende a abolição sumária dos Dez Mandamentos, é estranho que venha ele agora argumentar que se deve guardar um dia em sete, por ser isto a parte moral daquele preceito! Perguntaríamos: por que argumentar em torno de um mandamento abolido? Pasme o leitor em face de tão grosseiro ilogismo!

A primeira subdivisão contém nada menos que quatro teses anti-sabáticas, revelando um desconhecimento básico da nossa doutrina. Ei-las:

1ª. Que ensinamos não se salvar quem não guarda o sábado, e que todos os observadores do domingo têm o sinal da besta;

2ª. Que o sábado é um mandamento de dupla natureza: uma cerimonial, que é a fixação de um dia certo de repouso; outra moral, que é a guarda de um dia em sete;

3ª. Que a santificação do sábado é idêntica à santificação das festas judaicas capituladas em Lev. 23;

4ª. Que não podemos provar que o sábado não se tenha perdido antes do dilúvio, no Egito, no período anárquico dos juízes, no cativeiro babilônico ou em algum outro tempo.

Vamos reduzir a pó estas objeções.

A Bíblia não diz – nem nós dizemos – que somos salvos pela guarda do sábado, como também pela obediência ao pai ou mãe, ou abstendo-nos de matar, roubar, adulterar, mentir, enfim, pela observância de qualquer dos mandamentos de Deus. Nenhum cristão, por mais inculto que seja, jamais admitiria um absurda deste.

Salvação é em Cristo, e somente em Cristo. Por Ele somos salvos, porém eis a questão: somos salvos para pecar e transgredir, ou somos salvos para a justiça? Sem dúvida, somos salvos “para que a justiça de Deus se cumpra em nós”, somos salvos para a obediência, para uma vida correta, santificada. Somos salvos para fazer a vontade de Deus, somos salvos para as obras, que Deus preparou para que andássemos nelas. Por isso, a evidência da salvação é a guarda de todos os mandamentos. Sem omissão de um sequer. (S. Tia. 2:10.)

Jamais ensinamos que somente nós nos salvamos ou que pessoas sinceras que jamais tiveram conhecimento do sábado venham a perecer. Pesquise o acusador a nossa literatura, e certifique-se se este é o nosso ensino ou a nossa crença. A Escritura diz que Deus não leva em conta os tempos da ignorância de Sua doutrina verdadeira. Atos 17:30.

O oponente proclamou, alto e bom som, que a Sra. White é a papisa dos adventistas do sétimo dia – a sua mais alta expressão doutrinária. Então o autor tem que admitir também que o que ela realmente disse representa a nossa verdadeira crença. Pois bem, assim se expressa ela em relação aos que não tiveram conhecimento da lei divina:

“Há, entre os gentios, almas que servem a Deus ignorantemente, a quem a luz nunca foi levada por instrumentos humanos; todavia não perecerão. Conquanto ignorantes da lei escrita de Deus, ouviram Sua voz a falar-lhes por meio da Natureza, e fizeram aquilo que a lei requeria. Suas obras testificam que o Espírito Santo lhes tocou o coração, e são reconhecidos como filhos de Deus.” (1)

Basta isso para demonstrar a ignorância do autor em relação ao que cremos.

Agora, o outro aspecto da tese: a marca da apostasia. O sinal da besta – em torno do qual tanto alarde fazem os nossas oponentes – é um evento profético que se dará no futuro, segundo se depreende dos ensinos da Palavra de Deus.

Citemos ainda as palavras da Sra. White, que os opositores proclamam ser a nossa insuperável profetisa:

“Os cristãos das gerações passadas observaram o domingo, supondo que em assim fazendo estavam a guardar o sábado bíblico; e hoje existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, não excetuando a comunhão católica romana, que crêem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade. Quando, porém, a observância do domingo for imposta por lei, e o mundo for esclarecido relativamente à obrigação do verdadeiro sábado, quem então transgredir o mandamento de Deus para obedecer a um preceito que não tem maior autoridade que a de Roma, honrará desta maneira ao papado mais do que a Deus. Prestará homenagem a Roma, e ao poder que impõe a instituição que Roma ordenou. Adorará a besta e a sua imagem. Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma – ‘o sinal da besta’. E somente depois que esta situação esteja assim plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber ‘o sinal da besta’.” (2) (Grifos nossos).

Se isto não bastar, citemos outro trecho da mesma escritora:

“Ninguém recebeu até agora o sinal da besta. Ainda não chegou o tempo de prova. Há cristãos verdadeiros em todas as igrejas, inclusive na comunidade católico-romana. Ninguém é condenado sem que haja recebido iluminação nem se compenetrado da obrigatoriedade do quarto mandamento. Mas quando for expedido o decreto que impõe o falso sábado, e o alto clamor do terceiro anjo advertir os homens contra a adoração da besta e de sua imagem, será traçada com clareza a linha divisória entre o falso e o verdadeiro. Então os que ainda persistirem na transgressão RECEBERÃO o sinal da besta.” (3)

Diz o autor que os adventistas do sétimo dia têm um outro escritor muito acatado, cujas obras estão sendo traduzidas para o português, o Sr. Urias Smith. Pois bem. São da lavra desse “escritor muito acatado” as seguintes palavras:

“Dir-se-á ainda: Então todos os observadores do domingo têm o sinal da besta? Então todos os justos do passado, que guardaram esse dia, têm o sinal da besta? Então Lutero, Whitefield, os Wesley e todos os que fizeram uma notável obra de reforma, tinham o sinal da besta? Então todas as bênçãos que foram derramadas sabre as igrejas reformadas, o foram sobre pessoas que tinham o sinal da besta? E todos os cristãos que hoje guardam o domingo como sendo o sábado, têm o sinal da besta? RESPONDEMOS: Não. E lamentamos dizer que pretensos ensinadores religiosos, posto que muitas vezes corrigidos, persistem em nos representar mal neste ponto.

Nunca defendemos isso; nunca o ensinamos.

Nossas Premissas não levam a tais conclusões. Prestai atenção: o sinal e adoração da besta são impostas pela besta de duas pontas. A recepção do sinal da besta é um ato específico que a besta de duas pontas há de levar a fazer. A terceira mensagem de Apoc. 14 é uma advertência misericordiosamente enviada com antecedência a fim de preparar o povo para o perigo vindouro.

Não pode, portanto, haver adoração da besta, nem recepção do seu sinal – tal como a profecia indica – até que seja imposta pela besta de duas pontas. Vimos que a intenção era essencial na mudança que o papado fez na lei de Deus, para constituí-la o sinal daquele poder. Assim a intenção é necessária na adoção daquela mudança, da parte de cada indivíduo, para a recepção daquele sinal. Noutras palavras, uma pessoa tem de adotar a mudança, sabendo que ela é uma obra da besta, recebendo-a sob a autoridade daquele poder, em oposição à ordem de Deus.

“Que sucede com os homens citados, que guardaram o domingo no passado e a maioria dos que o guardam hoje? Guardam-no como uma instituição do papado? Não. Chegou o tempo de decidirem entre o sábado do Senhor e o outro? – Não. Por que motivo o guardaram e o guardam ainda? Supõem que estão a guardar um mandamento de Deus! Seu procedimento é atribuível a um erro inconscientemente recebido da igreja de Roma, e não a um ato de adoração prestada a ela.” (4)

Aí estão as nossas mais legítimas expressões doutrinárias, respondendo às infundadas acusações formuladas pelo autor. Pessoas indicadas por ele mesmo coma tendo peso de autoridade em nossas doutrinas.

O que nos condena não é o que praticamos na ignorância, mas o que persistimos em fazer depois que tivemos o conhecimento da lei de Deus. Diz a Bíblia: “Aquele pois que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” S. Tia. 4:17

“… e qualquer que violar um destes mais pequenos mandamentos e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus…” S. Mat. 5:19.

Deus enviou o movimento adventista ao mundo, não para condenar os homens, mas para pregar a verdade. O juízo a Deus pertence. Ele saberá os que terão o sinal da besta. Somente Deus sabe.

À vista de tudo o que expusemos, não é correta a afirmação de que sustentamos tenazmente que uma pessoa não se salva se não guardar o sábado, dele não tendo conhecimento. Ensinamos que quem é salvo, prova-o pela obediência aos mandamentos de Deus. Aquele que é redimido pela graça de Cristo, anda em obediência a toda a luz que Deus projetou em seu caminho. Não inventa subterfúgios para contornar a guarda dos mandamentos.

Diz a Escritura que o caminho dos justos “é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” Prov. 4:18.

Pedro intima os cristãos: “acrescentai à vossa fé” um longa lista de virtudes cristãs. II S. Ped. 1:5-7.

Quando obedecemos, crescemos na graça; quando deliberadamente recusamos prosseguir na senda da lei divina parque defrontamos algum preceito difícil de ser obedecido ou algo que exija renúncia, estamos na verdade rejeitando a luz do Céu, e a nossa situação é perigosa. Heb. 10:26 e 27.

Com relação aos judeus que rejeitaram o seu ensino, declarou Jesus: “Se Eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado.” S. João 15:22.

A muitos sinceros cristãos nunca foi revelado o pecado de violar o quarto mandamento da lei moral, que diz “o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus” e são, portanto, tidos por justificados aos olhos de Deus e perfeitamente dignos de um lugar no Céu. Aqueles, porém, que tiveram tal conhecimento, e o rejeitam, ficam sob a condenação.

E mais ainda: cremos que Deus, em Sua infinita sabedoria, viu com clarividência ao fazer o sábado, a grande prova de lealdade a Ele, nestes últimos dias; e que antes de terminar o tempo da graça para os habitantes do mando, estes receberão o conhecimento e a convicção desta verdade, e terão de tomar a sua decisão eterna. NESSA OCASIÃO – e somente nessa ocasião – aqueles que rejeitarem a luz adicional, automaticamente se desligarão de Deus e receberão o sinal da apostasia – o sinal da besta.

Portanto, os opositores precisam revisar e ratificar as suas inexatas afirmações em relação à crença dos adventistas dos sétimo dia.

Referências:
(1) E. G. White, O Desejado de Todas as Nações, pág. 638.
(2) Idem, O Grande Conflito, pág. 449.
(3) Idem, Evangelismo, págs. 294 e 295.
(4) Urias Smith, Daniel and Revelation, págs. 615 e 616.

Fonte:  livro Subtilezas do Erro de Arnaldo B. Christianini

Sobre Weleson Fernandes

Weleson Fernandes
Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

Verifique também

Sermão XIV: O DIA DO SENHOR

No nosso estudo anterior analisamos rapidamente o significado de cada mandamento do Decálogo, que é a lei do tribunal do Céu; e nesta oportunidade consideraremos mais detidamente a origem, a natureza e o significado do 4º mandamento da Lei divina, que ordena observância do sábado do 7º dia da semana

Sermão XIII: A LEI DO TRIBUNAL DO CÉU

Nos nossos dois últimos estudos analisamos alguns aspectos do grande Juízo Investigativo, que iniciou no santuário celestial em 1844, ao término dos 2.300 anos de Dan. 8:14, e que dentro em breve será concluído, quando a porta da graça fechar-se-á, ao Cristo depor Suas vestes sacerdotais

E-Book: O Sábado do Sétimo Dia de Guilherme Stein Jr

  O Sábado ou o Repouso do Sétimo Dia: Sua história, Seu Objetivo e Seu …

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: