Ellen White e o Uso de Bateria na Igreja

“Não devemos opor ao uso de instrumentos musicais em nossa obra” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, págs. 143 e 144)

Ellen White não contradiz a bíblia sobre o uso dos tambores

Percebemos que Ellen White, nesta citação não especificou uma lista de instrumentos. Com isso, alguns usam este aparente silêncio para definir genericamente que a bateria com seus tambores devem fazer parte dos instrumentos que não deveriam ser objetáveis.

Se nós interpretarmos este texto da mensageira do Senhor desta forma, teremos um sério problema, pois entenderíamos que Ellen White estaria indo contra a própria Bíblia.

Por quê? A Escritura mostra com clareza que os tambores ficaram de fora da lista de instrumentos ditados pelo próprio Deus (II Cr 29:25,26). O texto bíblico diz: “…Porque este mandado veio do Senhor por intermédio de seus Profetas…” II Cr 29:25. Estes instrumentos são qualificados como “DO SENHOR”, e os tambores ficaram de fora. Também fica evidente que jamais houve tambores na música de adoração a Deus no santuário. Poderíamos ainda usar a história de Davi na condução da arca de Obede-Edom (II Sam. 6:5 e I Cron. 13:8) .

“A história diz que foram duas tentativas de Davi para trazer de volta a arca. Na primeira tentativa deu tudo errado e Davi não conseguiu trazê-la. Foi um desastre porque Davi havia contrariado a Deus em várias maneiras de como a arca deveria ser levada. Percebendo os erros cometidos, na segunda tentativa ele corrige tudo para fazer conforme fora ordenado por Deus. Observando atentamente, percebe-se que nas correções que foram feitas para trazer a arca novamente, os tambores também entraram em sua lista de coisas que eram do desagrado do Senhor. Davi contrariou a vontade de Deus em várias coisas, mas na segunda oportunidade ele fez tudo conforme era a vontade de Deus. Houve alegria, mas ao contrário da primeira vez, a banda musical não teve tambor, mas harpas, alaúdes e címbalos (I Cron. 15:16)”

Portanto como ficaria a situação de Ellen White se interpretássemos este escrito de forma que abone o uso dos tambores na adoração, uma vez que a bíblia apresenta sua ausência PROPOSITAL na mesma?

Precisamos entender com todas as letras, que interpretações isoladas de contextos estão propensas a serem da forma como queremos provar as coisas, ou seja, ao nosso gosto e idéias pessoais. Isolar este texto do seu contexto e interpretá-lo da forma como muitos têm feito, é o mesmo que citar isoladamente textos como: Mateus 25:46 para afirmar que seremos atormentados pelo fogo eternamente, ou Romanos 14:5 para afirmar que o dia semanal de guarda é uma questão de consciência pessoal, ou Atos 10:15 para afirmar que podemos comer de tudo, sem nenhuma restrição, ou até mesmo I Cor. 7:8 para afirmar que o homem solteiro deve permanecer só para o resto da vida. Se pegarmos textos e os interpretarmos isoladamente, faremos interpretações forçadas para serem coniventes ao nosso pensamento e gosto pessoal.

Mas não ficamos sem esperança nessas circunstâncias, temos uma maravilhosa solução para entendermos a bíblia e o Espírito de Profecia sem contradizê-los. Aprendemos com a teologia de nossa amada igreja Adventista três regrinhas fundamentais de como estudar a bíblia e o Espírito de Profecia de modo que a faça se harmonizar em todos os textos e contextos. Veja:

A – Não ir além do que está escrito: I Coríntios 4:6

B – Aceitar a interpretação que a Bíblia mesma dá, pois a bíblia responde a si mesma: II Pedro 1:20,21.

C – Quando tiver dificuldades para entender o texto, busque o máximo de contextos possível: Isaias 28: 10,11

Se seguirmos fielmente estas regras ensinadas pelo nosso maravilho Deus, não precisaremos interpretar o que Ellen White escreveu de maneira contrária a Bíblia.

Contexto de Ellen White sobre o uso de tambores na experiência de Indiana.

Ellen White anunciou através do ocorrido em Indiana que, pouco antes do fim do tempo da graça, na igreja, haveria música barulhenta, com gritos, tambores e danças. A esse respeito escreveu: “Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança .Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo”. ME, Vol 2 – 36. (Maiores detalhes sobre o ocorrido em Indiana, ver: Mensagens Escolhidas, Vol. 2 – Págs, 31-39.

Esta citação acima pode também ser encontrada no livro Intitulado: “Música, Sua influência na vida do cristão, págs. 36 à 42 – Editado pela Casa Publicadora Brasileira).

É muito curioso atentar para o fato que no momento do louvor e adoração, havia muitos instrumentos sendo usados como “um órgão, um contrabaixo, três violinos, duas flautas, três tamborins, três trompas e um grande tambor” descrito no livro “Música, sua influência na vida do cristão, págs. 36 a 38, testemunhado por alguns.

A pergunta que surge é, se havia muitos instrumentos fazendo parte do louvor naquele momento, porque Ellen White citou apenas os tambores em suas observações de coisas estranhas que ocorreram naquele louvor? Veja:

“O que você descreveu como tendo acontecido em Indiana, o Senhor revelou-me que haveria de ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança” ME, pág. 36 e Música, sua influência na vida do cristão, pág. 38 e 39.

Perceba que ela associou os tambores a coisas estranhas em Indiana e que tal estranheza teria lugar novamente antes da terminação do tempo da graça em nosso meio. Pois assim afirmou a mensageira do Senhor, que: “Seria introduzida em nossas reuniões” ME, vol 2 – 36

Portando a revelação recebida a respeito do ocorrido em Indiana deixa evidente que por alguma razão tal instrumento não deveria fazer parte da adoração a Deus.

Ellen White ainda comentando a respeito diz que “Os que participam do suposto reavivamento recebem impressões que os levam ao sabor do vento… Nenhuma animação deve ser dada a tal espécie de culto.” ME, vol 2 – 37

Recebeu também orientações precisas de Deus para compreender que “O Espírito Santo nunca se revela por tais métodos, em tal balbúrdia de ruído. Isso é uma invenção de satanás para encobrir seus engenhosos métodos para anular o efeito da pura, sincera, elevadora, enobrecedora e santificante verdade para este tempo”. ME, vol 2 – 36

Sobre tal tipo de música com tambores Ellen White escreveu que “Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se poderá confiar neles quanto a decisões retas. E isso será chamado de operação do Espírito Santo”. ME, Pág. 36 e 37.

Em uma palestra alguém me perguntou se a música religiosa ou gospel será pior do que a situação em que se encontra. Respondi que sim, porque esse tipo de música que está adentrando em nosso meio ainda não tem sido chamado de operação do Espírito Santo. Mas isso não está longe de acontecer, porque certo dia fui confrontado por uma irmã da igreja que havia afirmado que só sente a presença do Espírito de Deus nas músicas mais forte, ritmadas e com bateria. Disse ainda que a música tradicional, como do hinário não tem mais poder nos dias em que vivemos. Tentou argumentar que os tempos em que vivemos são diferentes, e por essa razão a música também precisa ser diferente para sentirmos a presença de Deus. Como pode isso ser possível? Uma música que antigamente era poderosa e hoje não ter mais o poder de Deus? De fato o mundo passou e passa por muitas mudanças, mas temos que ter em mente que quem realiza as mudanças é o inimigo das almas e não Deus. (Para meditação: religião é compreender, sentir ou fazer?)

Muitos confundem essas estimulações. Dizem que a música tem que mexer, sacudir, criar estimulações para gerar poder. Mas BARULHO NÃO GERA PODER. Ritmos elevados e músicas cheias de estimulações não fazem ninguém cheio do Espírito de Deus. O que torna uma pessoa cheia de poder, é a fé munida de submissão plena. O que torna uma pessoa cheia do Espírito Santo é a consagração e abandono decisivo do pecado.

“Se trabalharmos para criar excitação do sentimento, teremos tudo quanto queremos, e mais do que possivelmente podemos saber como manejar. (…) Importa não considerar nossa obra em criar excitação. Unicamente o Espírito de Deus pode criar um entusiasmo são. Deixai que Deus opere, e ande o instrumento humano silenciosamente diante dEle, vigiando, esperando, orando, olhando a Jesus a todo momento, conduzido e controlado pelo precioso Espírito que é luz e vida. (Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 16-17)

Isto seria muito sério?

“O Senhor mostrou-me que seriam introduzidos em nossas reuniões campais teorias e métodos errôneos, e que a história do passado se repetiria. Senti-me grandemente aflita. Fui instruída a dizer que, nessas demonstrações, acham-se presentes demônios em forma de homens, trabalhando com todo o engenho que satanás pode empregar para tomar a verdade desagradável às pessoas sensatas; O inimigo estava procurando arranjar as coisas de maneira que as reuniões campais, que têm sido o meio de levar a verdade da terceira mensagem angélica perante as multidões, venha a perder sua força e influência. Assim busca satanás pôr seu selo sobre a obra que Deus quer que se destaque em pureza. O Espírito Santo nada tem que ver com tal confusão de ruído e multidão de sons. Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música, a qual , devidamente dirigida seria um louvor e glória para Deus. Ele torna seu efeito qual venenoso aguilhão da serpente.” ME, vol 2 – 37

E afirmou que:

“Essas coisas que aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço…” ME, vol 2 – 38

Muitos escritores modernos e cientistas que não tem nenhum vinculo com a igreja, após cuidadoso estudo e pesquisa, tem afirmado que os tambores são elementos essenciais dos cultos pagãos, dizendo ainda que são a principal ferramenta para estabelecer “contato com o mundo dos espíritos, (Ver capítulo “O uso de bateria na igreja).

Os defensores dos tambores nem ao menos sabem que Ellen White escreveu a esse respeito:

“Esses…foram arrastados por um engano espírita” Evangelismo – 595

“Fui instruída a dizer que, nessas demonstrações, acham-se presentes demônios em forma de homens…” ME, vol 2 – 37

“Coisa alguma já, mais ofensiva aos olhos de Deus, do que uma exibição de música instrumental, quando os que nela tomam parte não são consagrados, não estão fazendo em seu coração melodia para o Senhor… Não temos tempo agora para gastar em buscar as coisas que agradam unicamente aos sentidos” RH, 14/11/1899. EV, 510

Conclusão:

“É melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que, foi-me apresentado em janeiro último, seria introduzida em nossa reuniões…” ME, vol 2 – 36

Usando todos os métodos de interpretação da Bíblia e do Espírito de Profecia, chegamos a esta conclusão não forçada, mas clara da situação dos tambores e da música rítmica na visão de Ellen White.

Fica evidente que em momento algum ela contrariou a bíblia na questão do uso dos tambores na adoração. Os tambores entraram na sua lista de coisas estranhas que ocorreram em indiana: “Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança” ME, pág. 36 e Música, sua influência na vida do cristão, pág. 38 e 39.

É válido relembrar que jamais incentivou o seu uso e recebeu visões de Deus com a orientação de que “O Espírito Santo nada tem que ver com tal confusão de ruído e multidão de sons. Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música, a qual, devidamente dirigida seria um louvor e glória para Deus. Ele torna seu efeito qual venenoso aguilhão da serpente.” ME, vol 2 – 37.

Ela disse ainda que isso não é obra do Espírito Santo, mas de outro espírito:

“O Espírito Santo nunca se revela por tais métodos, em tal balbúrdia de ruído. Isso é uma invenção de satanás para encobrir seus engenhosos métodos para anular o efeito da pura, sincera, elevadora, enobrecedora e santificante verdade para este tempo” ME, vol 2 – 36

Qualquer argumento levantado a favor dos tambores, não pode ser com endosso da Bíblia e nem do Espírito de Profecia. Você vai preferir ignorar toda essa luz? Eu não, pois eu e minha casa serviremos ao Senhor.

Autor: Pr. Gilberto Theiss

Sobre Weleson Fernandes

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Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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