Igreja Católica portuguesa cria secretariado para ecumenismo

Rádio Vaticano, 19.01.2012.

A unidade entre os cristãos, tema que começou esta quarta feira a ser refletido pelas comunidades de fiéis, vai merecer aposta renovada por parte da Igreja Católica portuguesa, através da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização.

o presidente daquele organismo, D. António Couto, mostra-se convicto de que “os cristãos podem dar um testemunho muito mais forte”, se estiverem “juntos”, a trabalhar “em consonância”.

Só a construção de uma dinâmica religiosa “muito forte” é que poderá ajudar a levantar uma Europa que “se está a desmoronar, não só no campo económico mas também no campo pessoal”, onde “faltam valores, princípios, alegria e amor”, sublinha o bispo.

As bases para a nova estrutura foram lançadas em novembro de 2011, durante a assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa.

A Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização vai criar um Secretariado dedicado ao Ecumenismo, que até então estava integrado num núcleo próprio juntamente com a Doutrina da Fé.

Além de acompanhar o diálogo entre as Igrejas, o trabalho missionário e o anúncio da Palavra de Deus em território nacional e estrangeiro, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento, D. António Couto vai ter também sob a sua alçada o projeto “Repensar a Pastoral em Portugal”.

Uma ideia que os bispos portugueses lançaram em 2010 para promover a renovação da ação evangelizadora da Igreja, a partir de uma colaboração mais estreita entre dioceses, paróquias, congregações e movimentos de apostolado.

D. António Couto recorda ainda a importância de iniciativas como o Ano da Fé e o Sínodo da Nova Evangelização, que vão decorrer ao longo de 2012, para a consolidação do trabalho que tem vindo a ser feito, nas diversas áreas.

Entre 18 e 25 de janeiro, a Igreja Católica associa-se à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, este ano com o tema ‘Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo’, retirado da carta bíblica de São Paulo aos Coríntios.

Em Portugal a celebração nacional, que junta anualmente representantes de várias Igrejas cristãs, está marcada para Braga, no dia 20.

Nota: Sintomático que um dos países com maior adesão às causas do Vaticano, Portugal, crie mecanismos para claramente intensificar o diálogo ecumênico. Evidentemente, a Igreja Católica de Portugal, que deve somar seguramente em torno de 7 milhões de professos seguidores (maioria cristã no país europeu), segue tendência do próprio Vaticano de abrir cada vez mais canais de conversação com outras religiões.

Sempre, porém, gosto de pensar nas repercussões desse tipo de movimento.

(1) O tema da unidade sempre vem à tona, mas se faz questão de não detalhar em que aspectos se busca essa unidade. Ou seja, será uma unidade doutrinária, de ação, de projetos? Não está claro, portanto, essa unidade é um termo propositadamente abstrato. Unidade cristã, segundo a Bíblia, especialmente as cartas do apóstolo Paulo, se dá em torno de Cristo, o cabeça da igreja visível nesse mundo. Todas as outras tentativas de unidade, que não estão alicerçadas nos ensinamentos de Cristo tais como descritos na Bíblia Sagrada, são colocadas por mim sob suspeita.

(2) Fica meio subentendido, nas entrelinhas, que o objetivo maior dessa conversação ecumênica é por motivação econômica e por causa do que na reportagem é chamado de desmoronamento da Europa. Falam da questão econômica e da questão “pessoal”. Bem, todos sabem da crise econômica pela qual passa a União Europeia e da sua fragilidade devido aos calotes que vários de seus membros estão dando em relação às dívidas. A Igreja Católica Portuguesa, portanto, declara que pretende fortalecer a unidade, também, para enfrentar essa situação. O objeto principal, portanto, não é uma harmonização de ideias e nem de ensinamentos bíblicos, mas estabelecer uma força religiosa capaz de chegar a soluções para problemas de ordem eminentemente econômica.

Continuo acompanhando essa movimentação que parece bastante distante da unidade cristã pela qual Cristo orou em João 17.

Felipe Lemos – Realidade em Foco

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