Sermão XII: O TEMPO DO JUÍZO

INTRODUÇÃO

(Faça com antecedência no quadro-negro o diagrama das 2.300 tardes e manhãs, como se encontra no verso do Estudo Bíblico n.º XII).

No nosso estudo anterior analisamos as principais características do Juízo Investigativo, que tem lugar no santíssimo do santuário celestial. Vimos como é importante que vivamos de modo digno a que o nosso nome permaneça no livro da vida, para que um dia recebamos a coroa da vida eterna.

E hoje, analisaremos o maior período profético da Bíblia, ao final do qual o santuário celestial seria purificado, e sobre a Terra a verdade deveria ser restaurada (Dan. 8:11-14).

I – O PERÍODO DAS “2.300 TARDES E MANHÃS” E O SEU INÍCIO


A – O Tempo que Marca o Início da Purificação do Santuário do Céu – Dan. 8: 14

a) A expressão bíblica “tarde e manhã” é sinônimo de um dia completo: – Gên. 1: 5, 8, etc.

b) “Um leitor hebreu não poderia, possivelmente, entender o período de tempo, 2.300 tardes e manhãs de 2.300 meios dias ou 115O dias inteiros, porque tarde e manhã na criação constituíram não o meio dia, mas sim o dia inteiro.” (Keil, citado em SDABC, sobre Dan. 8:14)

B – A Expressão “2.300 tardes e manhãs” É Equivalente a 2.300 Anos

a) A única interpretação profética para as 2.300 tardes e manhãs, que corresponde ao contexto bíblico desta profecia, é o princípio profético dia-ano, ou seja, que cada dia representa um ano.

b) “Todos os esforços, contudo, para harmonizar o período, quer seja considerado como 2.300 dias ou como 1.150 dias, com qualquer época histórica precisamente que há nos livros dos Macabeus, ou em Josefo, têm-se mostrado baldados. . .” (Wright, citado em SDABC, sobre Dan. 8:14)

c) O princípio do Dia-Ano na profecia é encontrado em:
Núm. 14:34; Ezeq. 4:7

d) Somente ao aplicarmos esse principio a essa profecia, é que podemos satisfazer o contexto que declara que “esta visão se refere ao tempo do fim” (Dan. 8:17) e a afirmação de que ela se referia “a dias ainda mui distantes” (v. 26) da época em que Daniel a recebera.

e) E, “visto que a profecia de Daniel 8 é paralela às dos capítulos 2, 7 e 11 a 12, todas as quais culminam no reino de Deus por ocasião do fim da História, é apropriado esperar que o período representado pelos 2.300 dias alcance o tempo do fim (Dan. 8:17).” (O Ministério Adventista, março-junho de 1981, p. 19).

C – O Início dos 2.300 Anos

a) Dan. 9:24-27 é uma continuação da explicação da profecia das 2.300 tardes e manhãs, começada no cap. 8:15-26; pois no cap. 9:23 é dito a Daniel: “considera, pois, a coisa, entende a visão”.

b) E em Dan. 9:25 é apresentado o tempo do inicio desse período profético: “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”.

c) “Três decretos tratando da repatriação dos judeus são registrados no livro de Esdras; o primeiro no primeiro ano de Ciro, cerca de 537 (Esd. 1:1-4); o segundo no reinado de Dario I, pouco depois de 520 (Esd. 6:1-12); o terceiro no sétimo ano de Artaxerxes, 458/457 AC (Esd. 7:1-26). 

Nem Ciro e nem Dario fizeram uma provisão genuína no respectivo decreto para a restauração do estado civil como uma unidade completa, ainda que uma restauração tanto do governo religioso como civil fosse prometida na profecia de Daniel. O decreto do sétimo ano de Artaxerxes foi o primeiro a dar ao estado judeu autonomia completa, sujeito à soberania do Império Persa.” (SDA8C, sobre Dan. 9:25).

d) Portanto, os 2.300 anos iniciam no outono de 457AC, quando foi promulgado o decreto do sétimo ano de Artaxerxes.

II – O TÉRMINO DO PERÍODO DOS 2.300 ANOS


a) Como vimos anteriormente, os 2.300 anos iniciam em 457 AC.

OBS.: Nós aceitamos essa data, pois segundo o calendário judaico, que considera o primeiro ano do reinado de um rei, como o primeiro ano do seu reinado, esse decreto teve lugar em 457 AC; ao passo que, segundo o calendário egípcio usado pelos persas, esse decreto seria no ano 458 AC, pois os egípcios consideravam o primeiro ano do reinado de um rei como sendo apenas o ano de sua ascensão ao trono, e o segundo ano do seu reinado, como sendo o primeiro. 

Daí o fato de alguns contestarem o ano de 457 AC como sendo o ano do decreto de Artaxerxes. Mas nós o aceitamos porque Esdras escrevendo para o povo judeu, sem dúvida usou o calendário judaico.

c) “Esdras 7: 8 nos diz que esse decreto não alcançou Jerusalém até o quinto mês do ano. . . . Se os anos bíblicos começam e terminam na primavera, e se o decreto não entrou em vigor senão cinco meses após o início do ano, não devem os 2.300 anos estender-se pelo menos cinco meses além do início da primavera”

de 1844 AD? (Samuel Snow, citado em História do Adventismo, p. 30)
d) Como os 2.300 anos não tiveram o seu início de 457 AC, mas somente após haver transcorrido cerca de ¾ desse ano; o período dos 2.300 anos não finaliza no fim de 1843 (2300-457 = 1843); mas avança igualmente cerca de ¾ no ano de 1844 AD. Portanto, os 2.300 anos da profecia iniciam em 457 A C, e terminam em 1844 AD.

e) Porém a data de 22 de outubro de 1844 não foi fixada porque o decreto de Artaxerxes tenha sido promulgado em 22 de outubro de 457 AC, mas pelo fato de que o “Dia da Expiação” em 1844 cairia no dia 22 de outubro, segundo o calendário Caraíta. (Antônio A. Nepomuceno).

f) Portanto, segundo as profecias bíblicas, em 1844 começou o juízo investigativo no Céu e na Terra a restauração da verdade. (Ver Sermão n.º VIII).

III – DETALHES ADICIONAIS DA VERACIDADE DESTA PROFECIA


Para confirmarmos a veracidade do cumprimento desta profecia, pelo principio Dia-Ano, consideraremos ainda alguns detalhes que encontramos em Dan. 9:24-27:

“Desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Messias, o Príncipe, sete semanas, e sessenta e duas semanas” – a saber, sessenta e nove semanas ou 483 anos. 

O decreto de Artaxerxes entrou em vigor no outono de 457 antes de Cristo. A partir desta data, 483 anos estendem-se até o outono do ano 27 de nossa era. Naquele tempo esta profecia se cumpriu. 

A palavra “Messias” significa o “Ungido”. No outono do ano 27 de nossa era, Cristo foi batizado por João, e recebeu a unção do Espírito. O apóstolo Pedro testifica que “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude”.

Atos 10:38. E o próprio Salvador declarou: “O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres.” Luc. 4:18. Depois de Seu batismo Ele foi para a Galiléia, “pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido”. Mar. 1:14 e 15.

” “E Ele firmará concerto com muitos por uma semana.” A “semana”, a que há referência aqui, é a última das setenta, são os últimos sete anos do período concedido especialmente aos judeus. Durante este tempo, que se estende do ano 27 ao ano 34 de nossa era, Cristo, a princípio em pessoa e depois pelos Seus discípulos, dirigiu o convite do evangelho especialmente aos judeus. 

Ao saírem os apóstolos com as boas novas do reino, a recomendação do Salvador era: “Não ireis pelos caminhos das gentes, nem entrareis em cidades de samaritanos; mas ide às ovelhas perdidas da casa de Israel.” Mat. 10:5 e 6.
” “Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares.” 

No ano 31 de nossa era, três anos e meio depois de Seu batismo, nosso Senhor foi crucificado. Com o grande sacrifício oferecido sobre o Calvário, terminou aquele sistema cerimonial de ofertas, que durante quatro mil anos haviam apontado para o Cordeiro de Deus. 

O tipo alcançou o antítipo, e todos os sacrifícios e ofertas daquele sistema cerimonial deveriam cessar.

“As setenta semanas, ou 490 anos, especialmente conferidas aos judeus, terminaram, como vimos, no ano 34. Naquele tempo, pelo ato do sinédrio judaico, a nação selou sua recusa do evangelho, pelo martírio de Estêvão e perseguição aos seguidores de Cristo. Assim, a mensagem da salvação, não mais restrita ao povo escolhido, foi dada ao mundo.” (O Grande Conflito, pp. 327 e 328).

– No fim das 70 semanas Paulo converteu-se e o evangelho foi para os gentios (Atos 7:58, 59; 9:15).

– E a História comprova as fortes guerras e opressões que foram sofridas pelos judeus, como fruto das constantes tendências anti-semitas, em cumprimento de Dan. 9:26 e 27.

CONCLUSÃO


Portanto, através deste estudo, pudemos ver não apenas o cumprimento preciso das profecias bíblicas, mas também o fato de que estamos vivendo hoje num tempo solene – a fase do Juízo Investigativo, que teve início em 1844 e estender-se-á até pouco antes do retorno de Cristo a esta Terra, quando a porta da graça fechar-se-á, e não mais haverá oportunidade de arrependimento e salvação. Que tempo solene, o nosso!

“Quando era jovem, o juiz Warren Candler advogava, e um de seus clientes foi acusado de assassinato. O jovem advogado fez tudo quanto pode para eximi-lo da acusação. Havia algumas circunstâncias atenuantes, e ele se valeu delas tanto quanto foi possível diante do júri. 

Além disso, achavam-se presentes no tribunal os idosos progenitores do acusado e o jovem advogado apelou para os sentimentos e moções dos jurados, fazendo freqüentes referências àquele casal idoso e temente a Deus.
“A seu tempo, os jurados se retiraram para decidir, e tendo alcançado um veredicto voltaram a seus postos. 

O veredicto era de inocência para o acusado, e o jovem defensor, que também era cristão, teve uma conversa muito séria com o cliente, a quem preveniu para que se mantivesse fora dos maus caminhos e confiasse no poder de Deus a fim de se manter em trilha certa.

“Passaram-se os anos, e novamente o homem foi levado à barra do tribunal, também sob acusação de homicídio. O advogado que o defendera no primeiro julgamento achava-se, dessa feita, no lugar de juiz, e à conclusão dos trabalhos os jurados apresentaram o veredicto – ‘Culpado’.

“Ordenando que o condenado se pusesse de pé para ouvir a sentença, o juiz Candler disse:

– Em seu primeiro julgamento, fui seu advogado; hoje, sou seu juiz. O veredicto dos jurados torna obrigatório que o condene à forca. ” (Billy Graham, Mundo em Chamas, p. 272 e 273).

Na verdade, Jesus Cristo já é o Juiz no grande juízo investigativo do Céu, mas Ele ainda permanece como nosso Advogado e Intercessor diante do Pai; porém, dentro em breve Ele não mais poderá advogar a nossa causa, e então Ele poderá apenas dar o veredicto final. 

Entreguemos nossa vida completamente a Ele, antes que a graça se finde e seja tarde demais!

 

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Sobre Weleson Fernandes

Weleson Fernandes
Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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