A corrupção brasileira e os provérbios de Salomão

Há dois anos, o sentido semântico da expressão Lava Jato foi reprogramado no imaginário Brasileiro. Deixou de indicar o serviço de limpeza automotiva para se tornar símbolo de combate à corrupção. Entre os figurões da política nacional já condenados nas investigações da força tarefa está Sério Cabral (PMDB), ex-governador do Rio de Janeiro, acompanhado de sua esposa, Adriana Ancelmo.

Cabral – que foi condenado a 45 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa – ostenta a maior pena já decretada entre condenados pela operação. Adriana, cumpre pena de 18 anos pelos mesmos crimes. Da cadeia, longe da família, Cabral assiste passivo a dilapidação do patrimônio construído com desvio de dinheiro público, enquanto a esposa cumpre a pena em prisão domiciliar.

Outro governante, há três mil anos, deu alertas taxativos a respeito do ganho fácil, fraude, suborno e corrupção. Seu nome? Salomão. O repertório de seus escritos registrados na Bíblia é eclético. Nos três livros em que ele é apontado como autor [Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos], o Sábio passeia por temas de relevância atemporal, vários deles relacionáveis ao status atual do poder político do Brasil.

Tivesse considerado os apelos de Salomão, o casal Cabral não teria protagonizado o escândalo, afinal, lembrariam que “os bens que facilmente se ganham, esses diminuem” (Provérbios 13:11a).

A perda da liberdade, acompanhada do confisco de propriedades – com destaque para a imensa e luxuosa casa de praia da família, de 460 metros quadrados, situada em um condomínio fechado de Mangaratiba, município que fica a 118 km da capital e integra a exuberante Costa Verde, balneário onde estão algumas das praias mais famosas do Brasil – faz lembrar outra lição deixada pelo sábio Salomão há três mil anos: “O que é ávido por lucro desonesto transtorna sua casa, mas o que odeia o suborno esse viverá” (15:27).

Trazidos à luz, os crimes dos Cabral os fizeram trocar as obras de arte que os circundavam por paredes monocromáticas de celas; as piscinas e academias privativas pelos banhos de sol com hora contada; as viagens internacionais pelo breve translado a bordo de viaturas da Polícia Federal entre Bangu, bairro na Zona Oeste do Rio onde fica a penitenciária, para a sede fluminense da Polícia Federal, onde costumam prestar depoimentos. Sobre isso, Salomão diria: “Suave é ao homem o pão ganho por fraude, mas, depois, a sua boca se encherá de pedrinhas de areia.” (20:17)

No noticiário, seus nomes foram transferidos das páginas de política para as de polícia, onde são citados frequentemente nos desdobramentos da Operação Lava Jato. Os danos à imagem de ambos são irreversíveis. Nesse sentido, disse o sábio: “Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas; e o ser estimado é melhor que a prata e ouro” (22:1).

Adriana, que cumpria pena em regime fechado, pleiteou prisão domiciliar alegando dar assistência aos filhos pequenos. Cumprindo as exigências, o benefício foi concedido, sob indignação popular, pelo  STF. No entanto, se caminhasse corretamente, o transtorno seria dispensável. Disse o Sábio, “O justo anda na sua integridade; felizes lhe são os filhos depois dele” (20:7). E completou: “Na casa do justo há grande tesouro, mas nas renda dos perversos há perturbação” (15:6).

A famosa divisa do evangelista norte-americano Billy Graham torna-se, portanto, irrefutável: “A Bíblia é mais atual que o jornal de amanhã”.

Definitivamente, “melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o perverso, nos seus maus caminhos, ainda que seja rico.” (28:6) Também é “melhor é o pouco, havendo justiça, do que grandes rendimentos com injustiça” (16:8). Certamente, “melhor é o pouco, havendo temor do Senhor, do que grande tesouro onde há inquietação” (15:16).

Se aqui você não tem esperanças de, com honestidade, conquistar uma casa luxuosa, lembre-se do clássico hino “Mansão Sobre o Monte” (número 501 do Hinário Adventista). Um dia você terá “uma casa, no alto do monte com flores lindas por todo o jardim”. Lá haverá “aves cantando nas copas frondosas, rejubilando, na vida sem fim.” Por fim, “melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o perverso, nos seus maus caminhos, ainda que seja rico.” (28:6)

Por Davi Boechat

Fonte: Reação Adventista


Descubra mais sobre Weleson Fernandes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Sobre Weleson Fernandes

Evangelista da Igreja Adventista do sétimo dia, analista financeiro, formado em gestão financeira, pós graduado em controladoria de finanças, graduado em Teologia para Evangelistas pela Universidade Adventista de São Paulo. Autor de livros e de artigos, colunista no Blog Sétimo dia, Jovens Adventista. Tem participado como palestrante em seminários e em Conferências de evangelismo. Casado com Shirlene, é pai de três filhos.

Verifique também

Sobre o Natal e as Raízes Judaicas

Quem me conhece sabe que eu tenho muita simpatia pelas raízes judaicas da fé cristã. …

Breve reflexão sobre a pena de morte

Eu ainda não sentei para escrever algo abrangente sobre pena de morte. Mas aqui vai …

Pregações rasas e pregadores inaptos

Neste sábado, fui a uma nova igreja com minha esposa. O sermão pregado pelo pastor …

Deixe uma resposta