Música na Bíblia

Como responsáveis pela música na igreja, fizemos uma pesquisa com interesse de buscar algo que falasse sobre a música na Bíblia. Antes, gostaríamos de dizer que tudo, inclusive a música é criação de Deus. Vejamos alguns versículos como prova disto: Neemias 9:6, Salmos 24:1 e 102:25. No capítulo 38:4-7 do livro de Jó, encontramos um diálogo entre Jó e Deus, e percebemos que antes da fundação do mundo já havia música.

Em Ezequiel 28:13-15 podemos observar que Deus havia criado Lúcifer, o querubim de guarda, chefe dos anjos, cheio de luz, sábio e perfeito, até que em seu coração ele preferiu se rebelar contra Deus e usar seus poderes a favor do mal. Quando lemos Isaías 14:13-14 percebemos que ele, em seu coração, queria ser semelhante ao Criador, algo que Deus jamais permitiria, dar Sua glória a outrem. Assim, Lúcifer e seus seguidores, sendo eles a terça parte dos anjos que habitavam os céus, “foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Apocalipse 12:9).

A partir deste momento todos os seus atributos, inclusive sua grande capacidade musical, foram deturpados pelo pecado e conseqüente afastamento de Deus. Quando teve sucesso na tentação ao primeiro casal, Adão e Eva (Gênesis 3), tornou-se o “príncipe deste mundo” (João 12:31; 14;30; 16:11) e, devido a sua influência, partir deste ponto a música deste mundo estaria sempre em oposição à pura música de louvor a Deus que existe no céu.

No livro de Gênesis, mais precisamente no capítulo 4 versículo 21, conhecemos Jubal, a quinta geração de Adão e Eva, como sendo o primeiro músico a ser citado na Bíblia e cuja história se resume a apenas este verso.

Encontramos mais argumentos relacionados à música quando lemos sobre o Rei Davi. Vejamos algumas de suas invenções: Davi designou 4.000 homens para louvarem ao Senhor (I Crônicas 23:5), homens estes que cumpriam seu dever em tempo integral (I Crônicas 9:33 e 16:37), todos eram peritos, ou seja, mestres no que faziam (II Crônicas 34:12), louvando ao Senhor com instrumentos (I Crônicas 23:5 e II Crônicas 29:27) e canções que o próprio Rei Davi criou (II Crônicas 29:30). Antes ainda de se tornar rei, quando ainda bem jovem, afastou um espírito mal que atormentava a vida do rei Saul, tocando sua harpa (I Samuel 16:23).

Em Deuteronômio, nos capítulos 31 e 32 se fala que Moisés, possivelmente, como havia estudado música no palácio, compôs cânticos para que fossem ensinados ao povo de Deus. Perceba o poder de memorização que a música nos oferece. Vale-se salientar que após a passagem do Mar Vermelho o povo louvou a Deus com cânticos e danças (Êxodo 15:20-21), louvores conhecidos como cânticos de Triunfo. É citado em Apocalipse 15:3, que os remidos entoarão o cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro, semelhante àquele do Êxodo.

Encontramos em Números 21:16-18 que o povo enquanto trabalhava louvava ao Senhor. Nas vitórias militares também eram comuns tais atos (II Crônicas 20:27-28). Ainda em II Reis 3:15 é dito que, enquanto um músico tocava para Eliseu, o poder de Deus vinha sobre sua vida. Antes disso, no livro de Esdras, capítulo 3, versos 11-13 achamos algo interessante sobre a música cantada em altas vozes.

O livro de Salmos, nada mais é que poemas ou versos cantados, de acordo com o Hebraico, com acompanhamento instrumental, sendo 73 de autoria de Davi , 12 dos filhos de Coré dentre os levitas, 12 de Asafe, 2 de Salomão, 1 de Etã e 1 de Moisés. A palavra Salmos no Hebraico é Sheper Tehilim, que significa Livro dos Louvores. Havia ainda o cântico dos degraus, entoado quando subia-se ao templo de Salomão, para celebração de festas anuais, como, festa dos Tabernáculos, Pentecostes e outras, registrado nos capítulos 120 a 134. Que lindo! A cada degrau, sendo eles em numero de 15, um cântico de louvor a Deus.

Algo interessante que talvez você tenha lido e não sabia é que em 71 dos Salmos e nos 3 capítulos do livro de Habacuque encontramos a palavra Seláh, que quer dizer “pare e ouça.” Ficamos maravilhados ao saber de tal significado, pois nos próprios Salmos de que tanto lemos e recitamos, havia ali um espaço para a música instrumental, onde as vozes paravam, e os instrumentos continuavam a tocar. Muitas vezes encontramos essa expressão no início ou durante os Salmos, mas em outros, no final deles, o que nos traz a percepção de que alguns eram tocados e recitados de forma seguida, um atrás do outro. Glória a Deus Pai!

No Novo Testamento, mais precisamente no livro de Mateus 26:26-30, encontramos o episódio de Celebração da Páscoa, quando Jesus e os apóstolos cantaram um hino e foram para o monte. Que lindo! Jesus cantando! Perceba que a música ocupa um espaço enorme no coração de Deus quando vemos passagens como essas. Numa das passagens Bíblicas mais usadas em pregações, a parábola do filho pródigo, diz que quando o filho a casa retornou, o seu irmão ao voltar do campo ouviu o som da música, como motivo de festa pelo retorno de seu irmão (Lucas 15:25).

Não posso deixar esta fora! Paulo e Silas na prisão (Atos 16:25-26), lembram? O que fizeram em meio a adversidade? Oravam e cantavam hinos a Deus e foram libertos. O mesmo Paulo ainda deixou recomendações à igreja de Éfeso no capítulo 5:18-19 e aos Colossenses 3:16. Em Tiago aprendemos que, aquele que está alegre cante louvores (Tiago 5:13). Uma das últimas referências que encontramos é no livro de Apocalipse, nos capítulos 4:8-11 e 5:9-12 onde é citado que os 4 animais e os 24 anciãos declaravam um novo cântico de louvor a Deus, cânticos estes interrompidos apenas uma vez por mais ou menos 30 minutos conforme Apocalipse capítulo 8, por motivo não descrito na Bíblia.

Concluímos nossas palavras não apenas mostrando que há música na Bíblia, mas confirmando que como tudo, a música também é obra das mãos do nosso Senhor e por isso devemos utilizá-la para a glória do Seu nome!

“A música tem por finalidade glorificar a Deus e cumprir seus propósitos.” (Johann Sebastian Bach)


Jefferson Sousa Paulino é Ministro de Louvor da I.E. Congregacional do Calvário – Campina Grande PB


Autor: Jefferson Sousa Paulino

Sobre Weleson Fernandes

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Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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