O Rico e Lázaro é uma Parábola?

Alguns, por não acreditarem que o texto de Lucas 16:19-31 corresponde a uma parábola, tomam as suas palavras LITERALMENTE, e, assim, creem ter uma “base sólida” para as suas crenças num tormento eterno.

Ora, o texto supracitado corresponde, efetivamente, a uma parábola. Algumas versões mais antigas (como a ARC – Almeida, Revista e Corrigida) apresentam, entre os versículos 18 e 19 (de Lucas 16), o título que dei a este meu post. Outras versões bíblicas mais modernas (como a ARA – Almeida, Revista e Atualizada) colocam apenas como título “O rico e o mendigo”. 

A palavra “parábola” foi, neste caso, (propositadamente?) omitida. Alguns alegam não se tratar de uma parábola, pois tal palavra (“parábola”) NÃO APARECE no texto bíblico. E é verdade que não aparece!

CONTEXTO


Mas fácil é, olhando para o contexto mais amplo onde se encontra a descrição do rico e do mendigo (Lázaro), verificar que existem outras histórias – que são geralmente ACEITES COMO PARÁBOLAS! – onde a palavra “parábola” não aparece, igualmente, no texto bíblico. 

É o caso das histórias da dracma perdida (Lucas 15:8-10), do filho pródigo (Lucas 15:11-32), e do administrador ou mordomo infiel (Lucas 16:1-13), onde a palavra “parábola” não aparece, igualmente, e nem por isso a esmagadora maioria dos eruditos e leitores da Bíblia deixa de considerar essas histórias como sendo parábolas (segundo o dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, uma parábola é uma “narração alegórica que encerra algum preceito de moral ou verdade importante”). 

Então, por que razão alguns consideram a história do rico e do mendigo (Lázaro) como sendo uma história literal e não uma parábola? A tentação é forte para pensar que a resposta seria, simplesmente, esta: porque lhes convém!

Mas, admitamos que a história é literal e não uma parábola. Se assim é, então “o seio de Abraão” (v. 22) é literal, logo, quando “o mendigo morreu”, ele “foi levado pelos anjos”, LITERALMENTE, “para o seio de Abraão”! 

Mas será que somente esse mendigo teve esse privilégio? Não será lógico admitir que todos os justos, ao morrerem, sejam, igualmente, levados “para o seio de Abraão”? Mas, neste caso, “o seio de Abraão” terá de ser ENORME para acolher TODOS os justos que morreram e que ainda irão morrer! Acham que isto faz algum sentido? 

Mais: o rico, “estando em tormentos” (v. 23) pede a Abraão que mande a Lázaro refrescar a sua “língua” (v. 24). Mas, esperem aí… as almas têm “língua”? Não é verdade que aqueles que acreditam na doutrina de um tormento eterno, acreditam igualmente que apenas as ALMAS estão nesse mesmo tormento? 

E que essas ALMAS são meramente ESPÍRITOS, e que “um espírito não tem carne nem ossos” (Lucas 24:39)? Por estas incoerências, FORÇOSO É admitirmos que a história NÃO FARIA SENTIDO NENHUM se fosse considerada uma história literal e não apenas uma parábola, ou seja, uma “narração alegórica”! 

Por conseguinte, a história É UMA PARÁBOLA!

E se a história do rico e do mendigo (Lázaro) É UMA PARÁBOLA, então temos que INTERPRETAR essa parábola DA MESMA FORMA como se interpreta qualquer outra parábola. 

E como é que se interpreta uma parábola? O próprio Senhor Jesus Cristo nos ensinou a como interpretarmos as Suas parábolas! Como assim? Lembram-se da parábola do trigo e do joio, que Jesus contou (ver: Mateus 13:24-30)? Bom, aí o texto bíblico refere tratar-se mesmo de uma parábola, pois diz isto: “Propôs-lhes outra parábola” (v. 24). 

Se os discípulos de Jesus considerassem que uma parábola não conteria um SIGNIFICADO REAL por detrás da “narração alegórica”, então certamente eles não se teriam chegado “ao pé dEle… dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo” (Mateus 13:36)! 

Mas o próprio facto dos discípulos de Jesus pedirem a Ele uma explicação da “parábola do joio do campo”, evidencia que eles pressentiam que, por detrás daquela narração alegórica havia um OUTRO significado REAL. Está isto claro à vossa compreensão, sim ou não?

Pois bem, Jesus SATISFEZ o pedido dos Seus discípulos e passou a EXPLICAR-LHES o significado da Sua parábola. E agora reparem COM MUITA ATENÇÃO na explicação dada por Jesus: A CADA ELEMENTO DA PARÁBOLA, JESUS CONFERIU UM SIGNIFICADO (v. 38-43). Assim:

– o CAMPO é o MUNDO;

– a BOA SEMENTE são OS FILHOS DO REINO;

– o JOIO são OS FILHOS DO MALIGNO;

– o INIMIGO é o DIABO;

– a CEIFA é o FIM DO MUNDO;

– os CEIFEIROS são os ANJOS;

– a COLHEITA E A QUEIMA DO JOIO NO FOGO corresponde ao lançamento “NA FORNALHA DE FOGO” de “TUDO O QUE CAUSA ESCÂNDALO, E OS QUE COMETEM INIQUIDADE”;

– a COLHEITA DO TRIGO (embora subentendida) corresponde ao envio dos “JUSTOS” para o “REINO DO PAI”.

Será suficiente esta LIÇÃO dada por Jesus para entendermos COMO INTERPRETAR UMA PARÁBOLA?

SAIBA MAIS 👉 A Parábola do rico e Lázaro prova que o inferno não existe



FONTE: Paulo Cordeiro é Pastor adventista em Portugal

Sobre Weleson Fernandes

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Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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