O Tempo em Família

Um dos mais sérios problemas da vida agitada de nossos dias é encontrar tempo para se dedicar à família. É angustiosa a situação de inúmeros pais que saem de casa pela manhã, antes de seus filhos acordarem e regressam do trabalho somente depois que já estão dormindo. Os filhos crescem sem conhecerem de fato a seus pais, a ponto de se tornarem mutuamente estranhos. Isso contribui para agravar as tensões próprias da adolescência quando isso ocorre.

Outro enorme contingente de maridos ou esposas que não são capazes de encontrar tempo para a família, descobrem dramaticamente, quando o último filho se emancipa, que um não conhece o outro. E qual não é a decepção quando se lembram que ainda terão que viver o resto da vida sem ter nenhuma motivação para uni-los.

O tempo dedicado à família é ouro. Freqüentemente, entretanto, a possibilidade de viver uma relação enriquecedora para todos se vê arruinada por diversos problemas. O medo da intimidade, a falta de um sistema definido de prioridades, a desorganização e atitudes incorretas, parecem ser os principais fatores da falta de tempo para o cultivo das relações familiares.

Especialistas afirmam que a maioria das pessoas escolhe gastar seu tempo em coisas que evitam a intimidade. O retraimento, os intercâmbios formais, o trabalho e as conversas estereotipadas, são os instrumentos com os quais preenchemos nosso tempo fugindo por completo das relações genuinamente profundas.

Pior ainda, diante da iminência de encontros importantes, significativos, utilizamos nosso tempo para elaborar truques psicológicos que resultem na convicção, nossa e de nossos interlocutores, de que a intimidade é impossível ou, pelo menos, inconveniente.

Depois de nossa relação com Deus, as relações familiares deveriam ocupar o primeiro lugar. A afirmação é correta até quando temos que escolher entre a família e a igreja. Isso pode soar para alguns como deslealdade a Deus, uma vez que a igreja é o recurso divino para aplicar os planos de Deus em favor da humanidade. Só que não se pode esquecer que a família é um segmento da igreja e é o que mais no afeta. De modo que é ilegítimo o enfoque de alguns cristãos que, no fundo, utilizam as reuniões e atividades da igreja como desculpa para abandonar suas responsabilidades com a família.

É importante acrescentar aqui que a freqüência a alguma igreja contribui para desenvolver melhores padrões de comunicação, companheirismo e comunhão entre os membros da família. E por outro lado, a vida familiar equilibrada contribui para um melhor relacionamento de cada membro com Deus.

Muitos homens têm a tendência de colocar seu trabalho acima da família. Mas ocorre que uma vida familiar satisfatória pode ser importante incentivo para uma vida profissional de êxito. Também é verdade que muitos que fracassam em sua profissão estão entre aqueles que arrastam consigo, de casa para o trabalho, um acúmulo de problemas não resolvidos, ressentimentos, amarguras e ansiedades os quais diminuem suas possibilidades de dedicação ao trabalho com o otimismo e a eficiência necessários para o êxito. Vale a pena, portanto, dar à família a atenção e o tempo que ela merece, até por uma questão de sucesso profissional.

Costuma-se dizer que quando estamos razoavelmente organizados somos capazes de encontrar tempo para tudo o que é importante. Se já temos um sistema definido de prioridades no qual a família ocupa um lugar adequado, o passo seguinte é fazer um cuidadoso planejamento a fim de assegurar períodos de tempo expressamente separados para a família.

Especialmente aqueles que, em função do seu trabalho, têm que atender a muitas pessoas e marcam seus compromissos através de uma agenda fariam bem se assinalassem períodos de tempo consagrados exclusivamente à família. É claro que não basta só planejar, deve haver intenção de seguir o que foi planejado. Uma vez feito o plano, não deve ser nenhum motivo de constrangimento rejeitar outros compromissos para a mesma ocasião dizendo: “Sinto muito, mas tenho um programa com minha família nesse horário. Vamos encontrar outra oportunidade.”

Mesmo que tenhamos um definido sistema de prioridades e organizemos adequadamente o tempo, ainda há a possibilidade de que tenhamos destinado apenas escassos momentos à família. É importante então que usemos tais momentos da forma mais positiva.

Quanto, mais curto é o tempo disponível, mais crucial é que seja aproveitado ao máximo naquele tipo de interação capaz de enriquecer a vida de cada membro da família e a própria unidade familiar. Deve ser evitado o espírito da crítica. Também é desejável um espírito perdoador com relação aos erros e defeitos. Cada membro da família deve ressaltar as virtudes dos outros, elogiar e ter palavras de ânimo.

Os preciosos momentos de vida familiar em conjunto devem ser aproveitados para fazer planos e para dialogar com o objetivo de chegar a um consenso a respeito de como enfrentar os problemas da vida. E o diálogo deve se caracterizar pelo altruísmo manifestado pela honestidade, discrição, cortesia.

Deve haver sensibilidade com relação aos sentimentos e o auto-conceito de cada um, além de serenidade, bondade e espírito de aceitação.

Outra parte importante e que não deve ser esquecida é a separação de algum tempo em conjunto diariamente para que a família possa orar unida e estudar a Bíblia. Toda a família que busca a força espiritual que se encontra na comunhão com Deus, terá outros aspectos de sua vida também enriquecidos e bases mais firmes para uma atmosfera de segurança, harmonia, paz e amor.

Autor: Pr. Montano de Barros

Sobre Weleson Fernandes

Weleson Fernandes
Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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