Sermão X: O SANTUÁRIO CELESTIAL

 

INTRODUÇÃO


(Desenhar com antecedência no quadro-negro o santuário terrestre com os seus compartimentos e utensílios, para nele indicar o simbolismo do sacerdócio de Cristo)

No nosso estudo anterior nós vimos vários aspectos relacionados com o santuário terrestre e o seu ritual. Foi mencionado também que o antigo ritual judaico era um sistema visível que visava a ilustrar o plano da salvação e o sacerdócio de Cristo. Em outras palavras, ele era o “evangelho em símbolos” (Profetas e Reis, p. 489).
 


E hoje nós consideraremos alguns aspectos sobre o Santuário Celestial e o sacerdócio de Cristo.

I – PROVAS PARA A EXISTÊNCIA DO SANTUÁRIO CELESTIAL


A – Provas Bíblicas:

a) Primeiramente, a Bíblia fala que o santuário terrestre foi construído de acordo com “o modelo” que o próprio Deus mostrara a Moisés no Monte Sinai (Êxo. 25:40).

b) Já na Epístola aos Hebreus, nos é dito que existe outro santuário, “maior e mais perfeito”, do qual o santuário terrestre era apenas uma “figura”, e que este “verdadeiro” santuário se encontra no céu: – Heb. 8: 1 e 2; 9:11 e24.
 


E o próprio objetivo da Epístola aos Hebreus é chamar a atenção dos cristãos para Cristo e Seu sacerdócio no santuário celestial.

c) Também no livro do Apocalipse encontramos referências ao santuário celestial: – Apoc. 4: 5; 8: 3; 11: 19; 15:5

B – Confirmações do Espírito de Profecia:

a) “O santuário, no qual Jesus ministra em nosso favor, é o grande original, de que o santuário construído por Moisés foi uma cópia. Assim como no santuário terrestre havia dois compartimentos, o santo e o santíssimo, existem dois lugares santos no santuário celestial.” (História da Redenção, p. 377).

b) E Ellen G. White relata uma de suas visões, nos seguintes termos:
 

“Vi um anjo que voava ligeiro para mim. Rápido levou-me da Terra para a Cidade Santa. Na cidade vi um templo no qual entrei. Passei por uma porta antes de chegar ao primeiro véu. Este véu foi erguido e eu entrei no lugar santo. 

Ali vi o altar de incenso, o castiçal com sete lâmpadas e a mesa com os pães da proposição. Depois de ter eu contemplado a glória do lugar santo, Jesus levantou o segundo véu e eu passei para o santo dos santos.

“No lugar santíssimo uma arca, cujo alto e lados era do mais puro ouro. Em cada extremidade da arca havia um querubim com suas asas estendidas sobre ela. Tinham os rostos voltados um para o outro, e olhavam para baixo. Entre os anjos estava um incensário de ouro. 

Sobre a arca, onde estavam os anjos, havia o brilho de excelente glória, como se fora a glória do trono da habitação de Deus. . . . Na arca estavam . . . as tábuas de pedra que se fechavam como um livro. Jesus abriu-as, e eu vi os Dez Mandamentos nelas escritos com o dedo de Deus. 

Numa das tábuas havia quatro mandamentos e na outra seis. Os quatro da primeira tábua eram mais brilhantes que os seis da outra. Mas o quarto, o mandamento do sábado, brilhava mais que os outros; pois o sábado foi separado para ser guardado em honra do santo nome de Deus.” (Primeiros Escritos, pp. 32 e 33).

II – O SACERDÓCIO DE CRISTO


A – Quem é o Sacerdote do Santuário Celestial?

– Heb. 4:14 (Jesus)

B – Quem é a vítima (Cordeiro) do santuário celestial?

– Heb. 7: 27 ú.p. – Jesus “a Si mesmo Se ofereceu”
– Heb. 10:12
– É por isso que João Batista, ao ver Jesus, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29).

C – “Desta forma, Cristo é ao mesmo tempo Sacrifício e Sacerdote. Como sacrifício, ‘Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o Justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (I S. Pedro 3: 18); e, como sacerdote, Ele ministra no santuário celestial, sendo o Seu sacerdócio um sacerdócio eterno. 
 


‘Ora, aqueles (os levitas) são feitos sacerdotes em número maior, porque são impedidos pela morte de continuar; Este, no entanto, porque continua para sempre, tem o Seu sacerdócio imutável.’ Hebreus 7:23 e 24.” (Alberto R. Timm – DECISÃO abril/1982, p. 10)

III – AS FASES DO SACERDÓCIO DE CRISTO


O sacerdócio de Cristo, conforme simbolizado pelo ritual do santuário terrestre, pode ser dividido em três fases distintas:

1ª Fase: Simbolizada pelos Rituais do Pátio do Santuário Terrestre:
– Este simbolismo foi cumprido por Cristo, por ocasião do Seu ministério terrestre.

a) O altar do holocausto:

– “A vítima sangrenta sobre o altar do sacrifício, dava testemunho de um Redentor vindouro.” (Patriarcas e Profetas, p. 367)

– Portanto, o altar do holocausto simbolizava a cruz do Calvário, sobre a qual Jesus Cristo, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, foi oferecido.

b) A bacia de bronze:

– “No pátio, ao lado da porta do tabernáculo, estava uma bacia de bronze, na qual os sacerdotes lavavam as suas mãos e os seus pés antes de entrarem no tabernáculo, para que toda a impureza fosse removida. Todos que oficiavam no santuário eram requeridos por Deus a fazerem uma preparação especial antes de entrarem no lugar onde a Sua glória era revelada.” (Testimonies, vol. 4, p. 159)

– De igual forma, “Jesus foi ungido quando do Seu batismo no outono de 27 AD. ” (SDABC, sobre Dan. 9:25). Este ato simbólico de Cristo, o Seu batismo, é um chamado à regeneração e à santificação do crente; pois Cristo em Si não tinha pecado, mas Ele levou sobre Si os nossos pecados: – Atos 22:16; Tito 3:5
 

2ª Fase: Simbolizada Pelos Rituais do Lugar Santo (o 1º compartimento) do Santuário Terrestre:

– Esta fase iniciou após a ascensão de Cristo ao Céu, no ano 31 AD, quando Ele iniciou o Seu sacerdócio no santuário celestial, como nosso Mediador e Intercessor perante o Pai.

– Foi a morte de Cristo na cruz do Calvário que marcou o início do Seu sacerdócio; porque a Bíblia diz que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Heb. 9:22), e antes de Sua morte na cruz, Ele não fizera. nenhum outro sacrifício. Portanto era necessário que Cristo primeiro fizesse esse sacrifício para que o Seu sacerdócio tivesse início; pois é “o sangue de Jesus, Seu Filho”, que “nos purifica de todo pecado”. (I João 1:7).
a) A mesa com os pães da proposição:

– A mesa estava localizada no lado norte do tabernáculo (Êxo. 40:22).

– “Os pães da proposição eram conservados sempre perante o Senhor como uma oferta perpétua. . . Era um reconhecimento de que o homem depende de Deus, tanto para o pão temporal como espiritual, e de que este é recebido apenas pela mediação de Cristo. . . . Tanto o maná como o pão da proposição apontavam para Cristo, o pão vivo, que sempre está na presença de Deus por nós. Ele mesmo disse: ‘Eu sou o pão vivo que desceu do Céu.’ S. João 6:48-51.” (Patriarcas e Profetas, p. 354)

b) O castiçal de ouro com as sete lâmpadas:

– Estava localizado no lado sul do tabernáculo terrestre.
– Foi permitido ao apóstolo João contemplar o primeiro compartimento do santuário celestial; e viu ali as “sete lâmpadas de fogo” (Apoc. 4: 5), representadas pelo castiçal de ouro do santuário terrestre. (O Grande Conflito, p. 414)

– Apoc. 1:12, 13 e 20 u.p.

– “A igreja de Cristo é o castiçal para fazer brilhar a luz em meio ás trevas morais. O Salvador diz: ‘Vós sois a luz do mundo’.” (S.N. Haskell. The Cross and Its Shadow, p. 51).

c) O altar do incenso:

– No santuário terrestre ele estava localizado diante do véu que separava os dois compartimentos. “O fogo neste altar fora aceso pelo próprio Deus, e conservado de maneira sagrada. Dia e noite o santo incenso difundia sua fragrância pelos compartimentos sagrados, e fora, longe, em redor do tabernáculo.” (Patriarcas e Profetas, p. 348).

– “O incenso que subia com as orações de Israel, representa os méritos e intercessão de Cristo, Sua perfeita justiça, que pela fé é atribuída ao Seu povo, e unicamente pode tornar aceitável a Deus o culto de seres pecadores.” (Patriarcas e Profetas, pp. 353)

– “A nuvem de incenso que ascendia com as orações de Israel, representa a Sua justiça que unicamente pode tornar aceitável a Deus a oração do pecador.” (Idem, p. 367)

3ª Fase: Simbolizado pelo Ritual do Dia da Expiação, Quando o Sumo Sacerdote Entrava uma Vez por Ano no Santíssimo do Santuário Terrestre:

Esta fase iniciou no dia 22/outubro/1844, conforme veremos posteriormente, quando Cristo passou do Lugar Santo para o Santíssimo, de acordo com as profecias bíblicas, para iniciar uma fase de juízo, além das Suas funções de Mediador e Intercessor.

a) A arca, os dois querubins, e a Lei divina:

– A arca é um “símbolo da presença divina”. (Testimonies, vol. 4, p. 157)

– “Sobre a arca, onde estavam os anjos, havia o brilho de excedente glória, como se fora a glória do trono da habitação de Deus.” (Primeiros Escritos, p. 32)

– “Os querubins do santuário terrestre, olhando reverentemente para o propiciatório, representam o interesse com que a hoste celeste contempla a obra da redenção.” (O Grande Conflito, p. 415)

– “A lei de Deus no santuário celeste é o grande original, de que os preceitos inscritos nas tábuas de pedra, registrados por Moisés no Pentateuco, eram uma transcrição exata.” lidem, p. 434)
 


– E é diante dessa arca, no santíssimo do santuário celestial que Cristo ministra hoje em nosso favor!

CONCLUSÃO


Levemos hoje, para os nossos lares, essa bendita certeza de que temos um sumo sacerdote que ministra no santuário celestial, ainda hoje em nosso favor: – Heb. 4:14-16


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Sobre Weleson Fernandes

Weleson Fernandes
Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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