Trevas ao Meio-Dia

Cada pessoa tem sua própria reação aos momentos finais de Jesus na cruz. É essa reação que nos distingue uns dos outros, qualquer que seja nossa posição na vida. Um sacerdote, um soldado, um ladrão, todos zombaram de Cristo enquanto Ele estava pendurado na cruz.

“Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a Si mesmo! E é o Rei de Israel! Desça agora da cruz, e creremos nEle. Ele confiou em Deus. Que Deus O salve agora, se dEle tem compaixão, pois disse: ‘Sou o Filho de Deus’” (Mat. 27:42 e 43).

Um sacerdote, que sabia das coisas. Um soldado, que estava apenas cumprindo sua tarefa. Um ladrão sem esperança. Todos eles fizeram estas observações, mas só dois compreenderam. O sacerdote pregava. Ele ensinava o povo judeu. Havia sido consagrado e ordenado – exatamente como Arão e seus filhos durante o êxodo. Ele era o mediador entre o homem e Deus. Oferecia sacrifícios a Deus. Estudava as Escrituras. Profetizava acerca do Salvador que logo viria. O sacerdote gritou: “Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a Si mesmo!… Ele confiou em Deus” (verso 42). Quão irônico é o fato de que um sacerdote que cria em Deus, agia como mediador, ensinava o povo e profetizava, não tinha confiança em Deus. Ele zombava do próprio Deus sobre quem profetizava.

O soldado estava apenas cumprindo sua tarefa. Tinha-lhe sido ordenado que crucificasse Jesus. Talvez, o soldado tivesse visto Jesus pela cidade, pregando, curando, amando as pessoas. Talvez, não tivesse testemunhado esses eventos. Mas naquela sexta-feira pela manhã, ele estava apenas fazendo o serviço que lhe havia sido ordenado. Pregou a placa acima da cabeça de Jesus “O Rei dos Judeus”. Ouviu os zombadores. Ouviu o sacerdote, o Sinédrio. Também juntou-se à zombaria.

Os soldados lançaram sortes sobre a capa de Jesus para decidir quem ficaria com ela. Enquanto jogavam, Jesus suplicou em seu favor: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que estão fazendo” (Luc. 23:34). Este soldado ouviu a súplica de Jesus. Ouviu Jesus clamar a Autoridade superior – uma autoridade superior à do comandante, à dos sacerdotes, à dos governantes, à do rei. O soldado ficou atônito, sem afastar-se do pé da cruz durante todo o período da escuridão e do terremoto, ouvindo Cristo proferir Suas últimas palavras: “Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito” (verso 46). Testemunhando isto, o soldado só podia concluir que “verdadeiramente este era o Filho de Deus!” (Mat. 27:54).
Um ladrão pego em flagrante estava pendurado numa cruz ao lado de Jesus. Outro ladrão, do outro lado. Dois criminosos, um Salvador. Ambos os criminosos se uniram à multidão, zombando de Jesus. Ambos Lhe pediram que os salvasse, bem como a Si mesmo. Mas um ficou olhando para Jesus. Ele ouviu tudo. Como poderia não ouvir? Ouviu a multidão e os insultos dos soldados. Ouviu a resposta de Jesus, ou melhor, Sua não-resposta aos Seus atormentadores. Viu Jesus não poupar nada, nem mesmo Sua dignidade. Ouviu cada palavra proferida por Jesus naquelas horas finais na cruz. Ouviu toda palavra que Jesus dirigiu a Seu Pai. Este ladrão sabia que era pecador e que merecia a punição decidida pelo tribunal. Reconheceu seus crimes, mas sabia que Jesus não havia cometido nenhum crime. Reunindo todas as energias que lhe restavam, voltou o rosto para Jesus: “Jesus, lembra-Te de mim quando entrares no Teu reino” (Luc. 23:42).

Jesus estava suspenso entre dois criminosos. A crucifixão se destinava a criminosos endurecidos, àqueles que eram rejeitados por sua própria sociedade. Ele foi crucificado no meio porque era considerado o principal dos pecadores. Isaías profetizou: “Foi contado entre os transgressores” (Isa. 53:12).

Por que Jesus não Se salvou da cruz? Há muitas respostas prontas que os cristãos gostam de dar, e essas respostas dão alívio a muitas pessoas. Sim, Ele podia ter descido da cruz e Se salvado. Se houvesse feito isso, teria havido regozijo por toda a Jerusalém, por todo o país, por todo o mundo, por todo o exército dos anjos. Mas Jesus não salvou a Si mesmo da cruz porque o próprio ato de não Se haver salvado é o que dá a cada pecador esperança de perdão e reconciliação com Deus.

Havia apenas duas escolhas para Jesus naquele dia: salvar a Si mesmo ou salvar a todas as outras pessoas. A escolha de Jesus de permanecer na cruz demonstrou ao mundo todo que, para salvar a outros, Ele não podia salvar a Si mesmo.

Enfim, somente quando compreendemos a incrível realidade de que aquele Homem pendurado na cruz também era Deus, é possível começar a entender as verdades por Ele reveladas à humanidade.

“SALVOU OS OUTROS!”

Em meio ao palavreado irônico, desrespeitoso e irreverente, dirigido ao Filho de Deus, uma verdade fundamental estava implícita em uma das frases proferidas pelos sacerdotes, escribas e anciãos: “Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-Se” (Mat. 27:42). Que grande verdade! Ele não podia salvar os outros e a Si mesmo ao mesmo tempo.
Mal sabiam os Seus assassinos o que estavam fazendo. Sem dúvida, em parte, foi por perceber sua ignorância que Jesus exclamou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Luc. 23:34). No entanto, essa ignorância não os desculpará no dia do juízo, visto que eles tiveram tantas oportunidades de conhecer a verdade. Se aqueles que, nunca tendo visto Jesus, serão condenados por descrença (João 3:18), imagine o destino dos que O rejeitaram enquanto vivia entre eles. Cristo tinha curado muitas pessoas, libertado muitos cativos das forças demoníacas e ressuscitado mortos. Possivelmente, seus algozes estivessem pensando na ressurreição de Lázaro. Mas, mesmo assim, diziam eles: “não pode salvar-Se”.

Embora pronunciadas por escárnio e ódio, essas palavras expressaram a maior verdade de todos os tempos: Se Cristo quisesse salvar o mundo, só poderia fazer isso na cruz.

Em Mateus 26:39, Jesus pediu que, se fosse possível, o cálice passasse dEle. Obviamente, isso não era possível, não no sentido de que Ele não tinha escolha, mas no sentido de que não era possível ser poupado e ainda salvar o mundo.

Cada atitude dos ímpios no Calvário foi engendrada para desencorajar Jesus. Comandando tudo e por trás de tudo estava o esforço frenético de Satanás para levar Jesus a descer da cruz, assim abortando o plano de salvação. Mas Cristo estava absorvido no propósito de nos redimir. Se quisesse, Ele poderia ter-Se livrado da Cruz tão facilmente quanto livrou as mãos para curar a orelha cortada de Malco.

ESCURIDÃO AO MEIO-DIA

A crucifixão se deu na “terceira hora”, o que corresponde às 9 horas (Mar. 15:25). A escuridão ao meio-dia foi a maneira como a natureza demonstrou sua revolta com o que acontecia no Calvário. Assim também, quando Cristo nasceu, uma grande luz brilhou e a noite tornou-se como o dia. Quando Cristo morreu, o Sol foi encoberto e o dia transformou-se em noite.

Na Bíblia, a escuridão é símbolo do mal, da separação de Deus, que é Luz, e em quem “não há… treva nenhuma” (I João 1:5). De fato, Jesus falou em “trevas exteriores” (Mat. 8:12; 22:13) como expressão para a segunda morte. De certo modo, Jesus na cruz foi à segunda morte por nós; isto é, sofreu a penalidade do pecado que terão que enfrentar os que forem condenados. Cristo sentiu muito semelhantemente ao que os pecadores hão de sentir quando os cálices da ira de Deus forem derramados sobre eles.

Tendo em mente a realidade mencionada por Isaías, no sentido de que o pecado nos separa de Deus (Isa. 59:2), podemos encontrar o conceito de substituição também enfatizado por Paulo: “Aquele que não conheceu pecado Ele O fez pecado por nós…” (II Cor. 5:21); e “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-Se Ele próprio maldição” (Gál. 3:13).

A tese do apóstolo Paulo é a de que, em sua condição pecadora, a família humana está sob a maldição (condenação) da lei de Deus perante o tribunal celeste. Mas Cristo voluntariamente aceitou o débito dos nossos pecados e suportou as conseqüências judiciais em nosso lugar. Ele tomou sobre Si o nosso castigo.

Até a morte de Jesus na cruz, não podíamos entender completamente a ira de Deus contra o pecado. A seriedade do remédio indica a seriedade da ofensa.

O PAI ESCONDIDO

“Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” (Mat. 27:45). O que Jesus queria dizer com estas palavras? Como explicar esse brado procedente dos lábios de Jesus, o mesmo Jesus que dissera “Eu e o Pai somos um” (João 10:33), “não estou só porque o Pai está comigo” (João 16:32), e a respeito de quem o Pai disse “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo” (Mat. 3:17)?

Sobre a cruz, Cristo foi feito pecado, foi tratado como pecador, e chegou até às conseqüências máximas do pecado. Não conheceu pecado, mas foi feito pecado e, como tal, sentiu a separação do Pai. Embora seja difícil entender, Jesus – que fora Um com o Pai desde a eternidade – naquele momento, sentia a completa separação de Deus provocada pelo pecado. A ira de Deus, que cairia sobre nós, caiu sobre Ele para que nenhum de nós tivesse que sofrer suas conseqüências.

“ESTÁ CONSUMADO!”

Jesus tinha total controle da situação, uma vez que tudo estava planejado a fim de que se cumprissem as Escrituras (João 19:28 e 29). Ele sabia que estava ali para cumprimento de uma missão (João 19:30). Quando Ele declarou: “está consumado”, não o fez como um derrotado, muito menos como um sofredor. Pilatos O apresentou como rei e Ele apresentou-Se como o enviado do Pai que cumpriu plenamente a missão que Lhe fora confiada. De acordo com o que foi estabelecido, cumpriu cada passo do plano de redenção, elaborado antes da fundação do mundo. Satanás fracassou em suas tentativas de impedir a consumação do plano, mas Cristo venceu, e Sua vitória assegura a salvação de todos os que O aceitarem.

Além disso, Jesus “rendeu o espírito”. Ou seja, Cristo não morreu pela obra dos homens, a crucifixão; mas por Sua própria decisão e para completar Sua própria obra. Jesus havia dito que ninguém Lhe tira a vida, mas que Ele a dá por Si mesmo. E acrescentou: “Tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la” (João 10:18). Fazia isso seguindo um mandamento do Pai, e o Pai O ama porque dá Sua própria vida (João 10:17). Chegara o momento de entregar voluntariamente a vida, cumprir o mandamento recebido e terminar vitoriosamente Sua obra. Assim, Cristo não morreu derrotado, mas como vencedor sobre o pecado.

Estas palavras: “Está consumado”, ditas por Aquele que criou todas as coisas por Sua palavra, ecoaram ao longo do Universo, assegurando que a estabilidade da sua ordem moral e a feliz harmonia de seu companheirismo estão garantidas para sempre.

“DEUS ESTAVA EM CRISTO”

“Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (II Cor. 5:19). É interessante notar que Deus reconcilia consigo a humanidade “não imputando aos homens as suas transgressões”. Embora os pecados cometidos tenham sido registrados, a misericórdia e a justiça de Deus encontram uma forma de tratar os culpados como se nunca tivessem transgredido. O pecado é uma dívida que o pecador deve saldar. Porém, Deus tratou de fazer isso mediante Cristo. Na cruz, Deus julgou o pecado e o condenou.

Mesmo assim, só na cruz podemos ver como o pecado realmente é terrível, porque foi necessário algo tão extremo, tão incrível como a cruz para expiá-lo. A seriedade do remédio é uma forma para julgar a seriedade da ofensa. Se alguém tivesse que cumprir cinco horas de serviço à comunidade como castigo por um crime qualquer, você poderia concluir que aquele crime não seria tão grave. Por outro lado, se a punição fosse a morte, você creria que o que foi cometido seria considerado muito sério. Assim, nada revelou tanto o horror e a gravidade do pecado como a cruz, onde Deus, “em Cristo”, sofreu as conseqüências mais graves do pecado a fim de não termos que sofrê-las por nós mesmos.

Como nos sentimos quando reconhecemos que o nosso pecado individual (o meu pecado) foi parte da agonia de Jesus?

EXERCITE SEUS MÚSCULOS

Entendemos que as habilidades para participar das Olimpíadas não são desenvolvidas em poltronas. Mas de alguma forma, esperamos que o caráter cristão seja aperfeiçoado em bancos de igreja. As provas, dificuldades e problemas são os pesos na academia do cristão. Exercite-se.

Texto de autoria do Dr.mauro Braga – IASD Brooklin

Sobre Weleson Fernandes

Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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