A Música nas Horas de Culto

“A música faz parte do culto de Deus nos átrios do Céu” (Patriarcas e Profetas, pág. 594). A Bíblia e o Espírito de Profecia aconselham o uso da música nas horas do culto. Graças ao maravilhoso poder de evocação que possui, ela traz à mente dos fiéis os pensamento mais elevados. Faremos algumas considerações sobre a música nas reuniões regulares da igreja.

Observando o capitulo 7 do Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia, notamos que ali não se prescreve determinada ordem para realizar as diversas partes do culto, mas são apresentadas três ordens sugestivas. Transcrevemos a mais longa, visto que as outras são reduções dela:

* Prelúdio de órgão
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Entram o coro e os ministros
* Doxologia
Invocação
Leitura das Escrituras
* Hino de louvor
Oração
* Coro ou música especial
Oferta
* Hino de consagração
Sermão
* Hino de apelo
Oração de despedida
* Poslúdio de órgão

É significativo que das 15 partes do culto divino, 7 são musicais (assinaladas com asterisco) e há uma mais, a oferta, que geralmente e acompanhada com música. Escreve a Sr. White: “…a música deve ter seu lugar em nossos cultos”.

Sendo que no culto há tantas partes musicais, convêm repetir esta pergunta a cada um dos ministros ou encarregados: “‘Não tendes acaso o dever de dedicar alguma habilidade, estudo e planejamento à questão de como dirigir as reuniões religiosas, para que produzam a maior qualidade e causem a melhor impressão sobre todos os que estão presentes?” Aí é indicado claramente que os ministros ou encarregados têm o dever de planejar devidamente o programa das reuniões. Isto inclui todas as partes, das quais mais da metade são musicais.

Com demasiada freqüência se observa que o encarregado do culto se preocupa quase exclusivamente com o sermão a ser pregado, e as partes restantes são improvisadas no momento.[1] Assim como um quadro perde parte de seu valor se sua moldura está quebrada ou manchada, também o melhor dos sermões perde parte de seu efeito quando está incluído numa reunião de partes improvisadas ou dirigidas de maneira errônea.

A escolha dos hinos é de especial importância, pois deles participa a congregação. Somos aconselhados com referência a isto: “Os que tornam o canto uma parte do culto divino devem escolher hinos com música apropriada para a ocasião” (Signs of the Times, 22 de junho de 1882). Nalgumas igrejas são cantados apenas dois hinos, e às vezes, quando o tempo se torna escasso, eliminam-se algumas estrofes desses hinos. Achamos ser incorreto eliminar estrofes, pois a maioria dos hinos foram escritos de tal maneira que suas estrofes se enlaçam entre si como os elos duma corrente. Ao eliminar alguma estrofe, rompe-se a unidade e a estrutura, que às vezes são fruto de profundas meditações de seu autor. Se todos cantássemos “com o entendimento” (I Coríntios 14:15), buscando o significado das palavras e percebendo sua estrutura como um todo, seríamos incapazes de mutilar os hinos. Talvez alguém pense que cantar quatro hinos com todas as suas estrofes leve muito tempo. E certo que leva tempo, mas também é certo que o planejamento correto produz resultados, entre eles a economia de minutos que serão muito abençoados se os usarmos para o canto congregacional.

Também é sugerido o uso de um Prelúdio e um Poslúdio, que podem ser executados pelo coro ou pelo órgão. Convém que o prelúdio seja de caráter solene, convidando suavemente a meditação e oração. Para terminar o culto há várias maneiras distintas. Imediatamente após a última coração, e com a congregação de pé, em oração silenciosa, de uns 30 segundo de duração.

Nalgumas igrejas, é a congregação que canta alguma prece de agradecimento e despedida. Esta prece sempre é a mesma, e os irmãos conhecem de cor, portanto não é anunciada, nem deve ser procurada no hinário. Por que não expressar com força e alegria nosso gozo por haver recebido o pão da vida?


Nota:

[1] Percebemos que hoje o procedimento parece ser exatamente o inverso (principalmente nos “cultos jovens). Preocupa-se demasiadamente com a mensagem musical, com os elementos musicais (instrumentos, conjuntos, etc.), e em pouca grandeza com a mensagem principal, que é a “pregação” do evangelho e das verdades bíblicas. Por que observamos essa tendência? Será que nossos cultos estão se transformando em “hora do entretenimento”, mais do que “culto de adoração”? (Nota dos editores do Música Sacra e Adoração).


Fonte: Revista O Ministério Adventista, janeiro-fevereiro 1967.

Escrito por:  Hugo Dario Riffel

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Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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