Sermão IX: O SANTUÁRIO TERRESTRE

 

INTRODUÇÃO


(Desenhar com antecedência o santuário terrestre, com seus compartimentos e utensílios no quadro-negro, para ilustrar este assunto)

No estudo anterior nós vimos a atuação daquele “chifre pequeno” do cap. 8 de Daniel, que se levantaria “contra o Príncipe dos príncipes” (v. 25), tirando-lhe “o sacrifício costumado” (v. 11) e deitando “por terra a verdade” (v. 12).
 


E então surgiu a pergunta: – Dan. 8:13 – “Até quando.. . ?”

E a resposta foi: – Dan. 8:14 – “Até 2.300 tardes e manhãs; e o santuário será purificado”.

Mas qual é esse “santuário” que seria purificado no final desse período profético? – Para respondermos a esta pergunta, nós passaremos daqui para frente a considerar alguns assuntos relacionados com o santuário terrestre, com o santuário celestial, e com esse período profético das 2.300 tardes e manhãs.. .
 

E nesta oportunidade nós vamos considerar o santuário terrestre, os seus compartimentos com os seus utensílios; bem como o significado do ritual do santuário…

I – OS COMPARTIMENTOS DO SANTUÁRIO E OS SEUS UTENSÍLIOS


A – Construído sob Orientação Divina

a) Quando o povo de Israel se encontrava acampado ao pé do Monte Sinai, o próprio Deus declarou:
– Êxo. 25:8

b) Na verdade, após o pecado dos nossos primeiros pais, o homem não mais pode ver a face de Deus (João 1: 18).

“Mas o Ser Supremo concebeu um plano mediante o qual poderia reaproximar-Se de Seu povo. Se eram obrigados a abandonar o lar que para eles fora preparado, por que Deus não havia de ir com eles? 

Se não podiam morar no Paraíso, onde lhes era dado gozar perfeita comunhão com o Pai Celeste, por que não habitaria Deus com eles? Assim, em chegando o tempo apontado, Deus dirigiu ao Seu povo as palavras: 

‘E Me farão um santuário, e habitarei no meio deles.’ Êxo. 25:8. 

Amor admirável! Deus não pode suportar a separação dos que Lhe pertencem! Seu amor arquiteta um plano mediante o qual Lhe é possível habitar entre eles. Acompanham em seu jornadear através do deserto, guiando-os à Terra Prometida. 

Está novamente com Seu povo. Com efeito, existe agora uma parede de permeio. Deus habita no santuário, e o homem não se pode aproximar dEle diretamente. Mas Deus está tão perto quanto Lhe permite a presença do pecado.” (M. L. Andreasen. O Ritual do Santuário, p.16).
 


c) E o próprio modelo para esse santuário, que seria a morada de Deus com Seu povo, foi dado a Moisés no Monte Sinai: – Êxo. 25:40

B – Os Compartimentos do Tabernáculo:

(Nota: “Tabernáculo” era o nome dado ao santuário móvel que os israelitas tinham durante a peregrinação no deserto, sendo, portanto, a sua principal característica, a mobilidade)

O santuário era dividido em 3 partes:

1º) Um pátio exterior, cercado por uma cortina que servia de “muro” para que o povo não pudesse olhar diretamente, nem se aproximar demasiadamente.

2º) Uma tenda, cujo primeiro compartimento era chamado o “Lugar Santo”;

3º) e o segundo e menor compartimento da tenda, chamado de “Santíssimo” ou “Santo dos Santos”.

C – Os Utensílios do Tabernáculo

Se tivéssemos o privilégio de conhecer pessoalmente o tabernáculo, certamente ficaríamos maravilhados com o seu simbolismo.

1º) Logo ao transpormos a entrada exterior do átrio (o pátio exterior), a primeira coisa que veríamos, seria o altar de holocausto, sobre o qual eram oferecidos os sacrifícios. 
 


Ao nos dirigirmos em direção à entrada do tabernáculo, veríamos uma bacia de bronze, que servia como pia para os sacerdotes se lavarem antes de entrarem no tabernáculo. (Êxo. 40:29, 30 e 33)

2º) Ao transpormos a entrada do tabernáculo, nós nos encontraríamos no lugar santo (o 1º compartimento), onde veríamos, à nossa direita, uma mesa revestida de ouro, sobre a qual veríamos 12 pães, simbolizando as 12 tribos de Israel (Lev. 24: S-9). 

Se olhássemos para o lado esquerdo, veríamos um magnífico castiçal de ouro, cujas 7 lâmpadas deviam ser conservadas sempre acesas. . . E se olhássemos em frente, na direção da cortina que separa o lugar santo do santíssimo, divisaríamos um altar para incenso, coberto de ouro puro… (Êxo. 40:22, 24 e 26).

– É interessante notarmos que em Heb. 9:3 e 4 é dito que esse altar para o incenso “Pertencia” ao Santo dos Santos; ao passo que em Lev. 40: 26 é dito que ele foi colocado “diante do véu”, isto é, no lugar santo. 

Devemos notar que Hebreus não diz que ele “estava” no Santo dos Santos, mas apenas que “pertencia” a ele, pois “o fumo do incenso diariamente oferecido sobre ele, era suposto penetrar o véu para o santo dos santos, representando o fragrante perfume da intercessão diante do próprio propiciatório. . .” (The Pulpit Commentary, vol. 21, – Hebrews, p. 227)

3º) Se continuássemos em frente, passando pelo sagrado véu, que separa o lugar santo do santíssimo, chegaríamos ao santíssimo. Lá veríamos, no lugar mais glorioso e sagrado do tabernáculo, a arca do concerto, dentro da qual estão as duas tábuas de pedra contendo os 10 mandamentos. 
 


Em cada extremidade da parte superior da arca se encontra um querubim de ouro puro; e a tampa da arca, chamada propiciatório, é uma lâmina de ouro puro, considerada a parte mais sagrada do tabernáculo, sobre a qual, entre os dois querubins, está o “shekinah” (que era a manifestação da presença visível de Deus, que representava o próprio trono de Deus. . . (Êxo. 40:20 e 21; 26:33)

D – Quem Podia Entrar nos Compartimentos do Santuário?

Mas no santuário, por ser um lugar sagrado, o pecador comum não poderia penetrar, pois a glória de Deus, que é um fogo consumidor para o pecado, o consumiria. (O Maior Discurso de Cristo, p. 58)

1º) No pátio podiam entrar os pecadores arrependidos, juntamente com os sacerdotes;

2º) No lugar santo entravam apenas os sacerdotes (Heb. 9:6)

3º) E no santíssimo, apenas o sumo sacerdote (o sacerdote principal) e uma vez por ano apenas (Heb. 9:7).

II – O RITUAL DO SANTUÁRIO E O SEU SIMBOLISMO


Dentre o ritual que era levado a cabo no serviço do santuário terrestre, nós queremos salientar apenas os 3 principais:

1º) O Sacrifício Contínuo – Núm. 28:1-4

– Portanto, como vimos, o sacrifício continuo constava do oferecimento de um cordeiro “pela manhã”, e outro “no crepúsculo da tarde” (Núm. 28:4). “O serviço da manhã expiava os pecados cometidos durante a noite anterior; o da tarde, os pecados cometidos durante o dia.” (M. L. Andreasen. O Ritual do Santuário, p. 116)

– Simbolizava a salvação que está à disposição de todos, dada por Deus – PROVISÃO.
 


– “Pecado e pecadores não têm direito de existir. . . . Os pecadores têm permissão de viver e é-lhes assegurada uma demora de execução somente pela virtude do sangue expiatório de Cristo. Porque o Cordeiro morreu, eles vivem. É-lhes garantido um tempo de graça.” (Ibidem)

2º) O Sacrifício Pelo Pecado – Lev. 4:2, 27-31

– Simboliza a transferência do pecado, do pecador para o santuário, via sacerdote pelo sangue – ABSOLVAÇÃO.

3º) O Sacrifício da Expiação – Lev. 16:5, 8, 15 e 16

– Este era um sacrifício apenas anual, quando o sumo sacerdote podia entrar no santíssimo. Este dia era conhecido como o grande Dia da Expiação.

– Simbolizava a remoção dos pecados – EXTINÇÃO.

III – O OBJETIVO DO SANTUÁRIO TERRESTRE


A – Era uma Cópia do Santuário Celestial

– Êxo. 25: 40 – foi feito “segundo o Modelo”

– Heb. 8:5 – Moisés foi “divinamente instruído. . . Para construir o tabernáculo”

– Heb. 9:24 – o santuário terrestre era uma “figura do verdadeiro”, o celestial.
B – O Seu Objetivo era Simbólico

– Heb. 8:5 – os sacerdotes “ministravam em figura e sombra das coisas celestes”.

a) Esse “antigo ritual. . . é o evangelho em símbolos.” (Profetas e Reis, p. 489)

b) “Cristo era o fundamento da organização judaica. Todo o sistema de tipos e símbolos era uma compacta profecia do evangelho, uma representação em que se continham as promessas de redenção.” (Atos dos Apóstolos, p. 14)

c) O santuário terrestre era “um sistema visível mais amplo do Seu grande plano da salvação. Esse. . . sistema cerimonial não lembrava apenas que Cristo iria morrer em lugar do pecador, mas também ilustrava o sacerdócio que Ele exerceria no Céu, após a Sua morte.” (Alberto R. Timm. DECISÃO, abril/1982, p. 9).

C – O Fim (Término) do Santuário Terrestre – Mat. 27:50 e 51

a) “Quando Cristo, pendente da cruz, exclamou: ‘Está consumado!’ (São João 19:30), ‘o véu do santuário rasgou-se em duas partes, do alto a baixo”. São Marcos 15: 38. 

Este evento simbolizava que todo o sistema cerimonial judaico, que, por aproximadamente mil e quinhentos anos tivera lugar, agora chegava ao fim. O grande Sacrifício pelo pecado, para o qual todos os sacrifícios anteriores apontavam, havia sido feito. Daí em diante, toda a atenção devia voltar-se para Cristo, Seu sacrifício e sacerdócio no santuário celestial.” (Alberto R. Timm. Op. cit., p. 9)

CONCLUSÃO


Que certeza preciosa, e que segurança maravilhosa!. . . Temos um sacerdote no santuário celestial à nossa disposição!:
– Heb. 8:1 e 2

Enquanto o Santuário terrestre estava em vigência, ao o pecador penitente e arrependido, confessava os seus pecados, ao o sacerdote aplicar o sangue, o pecador era perdoado. Deixava de ser culpado para ser justo. Deixava de ser um filho de Satanás para ser filho de Deus.

E hoje a Bíblia diz que nós “temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo” (I João 2:1), e que, “se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (I João 1:9).

Confessemos os nossos pecados, deles nos arrependendo, e encontraremos paz de coração e descanso para o nosso viver diário!.


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Sobre Weleson Fernandes

Weleson Fernandes
Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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