O Espiritismo Moderno

As maiores manifestações do poder de Satanás para enganar e perverter, entretanto, estão reservadas para o futuro. Tem ele o poder, mesmo, de travestir-se em anjo de luz e o último e maior de seus enganos será o de imitar a vinda de Jesus a este mundo. Este será um engano quase que irresistível. Somente os que estiverem firmados na verdade das Escrituras poderão resistir ao encantamento que esta visão irá provocar.

Está escrito: E não é maravilha, porque o próprio Satanás transfigura-se em anjo de luz (II Coríntios 11:14). Eis as palavras do próprio Salvador, a respeito dos dias que se aproximam e dos enganos que eles trarão: Então, se alguém vos disser: eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhes deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fôra, enganariam até os escolhidos (S. Mateus 24:23-24). O apóstolo da Revelação conclui, referindo-se à manifestação do grande poder enganador: E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à Terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na Terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse… (Apocalipse 13:13-14).

O espiritismo moderno iniciou-se no século passado, na mesma época e lugar em que começou a mensagem do juízo, com o objetivo claro de contrafazê-lo. A Bíblia Sagrada enfatiza de maneira clara e objetiva que aos homens está ordenado morrerem uma vez vindo depois disso o juízo (Hebreus 9:27). O espiritismo moderno contradiz esta afirmação de maneira direta, com o dogma da reencarnação. Segundo esta doutrina, difundida e hoje aceita no mundo todo, as pessoas não morrem apenas uma vez, como afirma a Palavra de Deus, mas morrem e reencarnam sucessivas vezes, no curso de um processo de aperfeiçoamento espiritual, conseguido através dos próprios esforços e méritos pessoais, pela prática da justiça e da caridade.

A doutrina bíblica do juízo, profeticamente anunciada com milênios de antecedência, teve início em meados do século passado, mesma época em que se iniciou o espiritismo moderno, transformado e adaptado para adequar-se aos novos tempos em que a ciência se multiplicou.

Pela doutrina do juízo as pessoas são julgadas uma única vez e absolvidas e declaradas aptas para viver eternamente, ou condenadas à sentença da segunda morte, eterna, definitiva, da qual não existe ressurreição.

O Evangelho Eterno declara que as pessoas somente podem ser declaradas justas pela justiça de Cristo. Jesus, no tribunal de Deus, apresenta Suas próprias obras em lugar do réu que O constituiu seu Advogado e Substituto, no julgamento do qual ninguém pode fugir. O sangue derramado na cruz e a vida do Criador ali oferecida representam a morte de cada pessoa que nEle confiou e aceitou o plano para sua redenção.

O sacrifício de Jesus é um sacrifício vicário ou substituto, isto é, ao comparecer ao juízo de Deus é como se cada pessoa que O aceitou como seu Advogado e Salvador houvesse também sido executada na cruz. As obras de Jesus são sobre ela imputadas e por isto é justificada diante de Deus. Contrariamente, as pessoas que recusaram o sacrifício de Jesus serão julgadas por suas próprias obras e por esta razão serão condenadas. Isto porque estas boas obras, quando apresentadas diante de Deus para justificação são consideradas como trapos de imundícia, como está escrito: Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia (Isaías 64:6).

Ora, é claro que as nossas boas obras ou as nossas justiças são importantes, pois são elas a prova de nossa fé. São, mesmo, essenciais; mas não como motivo, condição ou causa para justificação diante de Deus e sim como conseqüência desta justificação. O cristão deve produzir boas obras tão naturalmente como uma árvore produz os seus frutos.

O espiritismo moderno teve, portanto, início nos Estados Unidos da América, na época já referida. Os primeiros sinais apareceram no final do ano de 1844, mas foi somente em 1848 que ele se consolidou naquele país, de onde se expandiu por todo o mundo.

Na cidade de Hydesville, Estado de Nova York, estranhas pancadas passaram a ser insistente e regularmente ouvidas na residência da família do senhor John D. Fox, no quarto de suas filhas, Margareth e Kate. Estas duas moças conseguiram manter uma conversação através de sinais convencionados, ao descobrir que os mesmos sinais eram provocados por algo ou alguém inteligente, que podia se comunicar com elas.

Familiarizando-se com o estranho foram por ele informadas de que aquele que com elas se comunicava era o espírito de um mascate que, tempos atrás, havia sido assassinado por um açougueiro, seu vizinho e conhecido, e enterrado às ocultas num dos cantos daquela mesma casa. Com a indicação do exato local foi o mesmo escavado e com grande rebuliço, surpresa e admiração encontraram ali um esqueleto que correspondia às descrições do pretenso espírito desencarnado. Levado o caso à polícia foi o mesmo investigado e o açougueiro confessou o crime praticado havia tanto tempo.

Pode-se imaginar a repercussão que este acontecimento causou em todo o país. A nova filosofia surgia com todo o ímpeto, convencendo as pessoas de todas as camadas sociais e culturais. Eram tão extraordinários e evidentes os sinais e prodígios sobrenaturais que se manifestavam que multidões se rendiam a eles por toda parte. Nas reuniões que eram realizadas para estudar estes fenômenos, mesas eram suspensas sem que ninguém as erguesse. Estrondos como tiros de canhão dentro de casa, fenômenos de levitação e manifestações de espíritos familiares ou de pretensas pessoas mortas que se comunicavam com seus parentes e conhecidos fizeram com que a nova doutrina se consolidasse e expandisse.

A nova filosofia encontrou terreno fértil na Europa e, principalmente, na França. Na cidade de Paris, em especial, ela floresceu de maneira notável. Foi ali que um professor ateu e materialista interessou-se por ela e passou a estudá-la, por curiosidade, julgando a princípio tratar-se de um caso de charlatanismo.

Hipollité Leon Denizart Rivail, o citado professor, convenceu-se logo de que os fenômenos pesquisados não eram frutos de fraudes ou quaisquer tipos de manipulação. Concluiu, sem nenhuma dúvida, que as manifestações prodigiosas tinham natureza sobrenatural e origem num poder até então desconhecido.

Ao estabelecer comunicação regular com os estranhos personagens responsáveis por aquelas manifestações, foi por eles convencido de que se tratavam os mesmos de espíritos de pessoas falecidas, que tinham a capacidade de se comunicar com certas pessoas vivas que possuíssem um dom chamado mediúnico. Mudou ele o seu nome para Allan Kardec, ao deixar-se convencer pelos pretensos espíritos , de ter vivido muitas existências anteriores e ter passado já por várias reencarnações em outras épocas.

Allan Kardec é considerado o codificador do espiritismo. Ele escreveu, instruído pelos seus ensinadores sobrenaturais, as principais obras que constituem hoje o fundamento e as normas do moderno espiritismo. Estas normas estabelecem, principalmente, a comunicação com os mortos, a doutrina da reencarnação e a imortalidade da alma. Elas se chocam frontalmente com a Palavra de Deus, que afirma: Quando vos disserem: consultai os que têm espíritos familiares e os feiticeiros, que chilreiam e murmuram, respondei: acaso não consultará um povo a seu Deus? Acaso a favor dos vivos consultará os mortos? (Isaías 8:19).

Fonte: O Eterno Evangelho 

Sobre Weleson Fernandes

Escritor & Evangelista da União Central Brasileira

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